30 de dez de 2012

2012 - isso não é uma retrospectiva

Alucinadamente, alguns afirmavam que o ano não chegaria ao fim. Chegou. E nesse finzinho eu nem quero lembrar com detalhes TUDO o que aconteceu nesses mais de trezentos e sessenta dias. Sim, tudo em caixa alta, de preferência em negrito, porque esse ano foi marcado por intensidade. 
Intensidade, nas boas e más emoções e surpresas. 
Conheci gente que jamais imaginei conhecer, reencontrei quem jurava que não veria mais. Fui aonde sempre sonhei ir e aonde nunca tinha cogitado passar. 
Tive de lidar com as ironias da vida: quando enfim encontrei quem tanto esperei, logo tive que abrir mão (sim a gente arrisca a nossa própria felicidade em nossa da felicidade de quem gostamos, não me arrependi ainda); quando os resultados de quase quatro anos de dedicação à graduação começam a se tornar visíveis e aproveitáveis foi impossível não me questionar se fiz a escolha certa lá atrás, nem perder horas pensando se devia recomeçar tudo, ou não. 
E se fui um tanto feliz, obrigado, tive de amadurecer um bocado, em razão dos trancos e porradas que levei esse ano. Doeu muito, cada despedida, cada perda, cada momento em que duvidava - será que eu vou aguentar?. Tive medo, ódio, descrença e vontade de desistir de tudo.
Em virtude e apesar de tudo isso, estou aqui. Sei que sobrevivi, até hoje, não sei se saí mais forte, mais equilibrado ou mais inconsequente. No fundo, a euforia me embala, enquanto o coração ainda sangra. 
Isso não é uma retrospectiva, nem um balanço de final de ano, não sei se aguentaria remoer tanta coisa, e quem sabe ter que admitir que entre adições e subtrações o ano não foi tão bom. 
Eu agradeço, e peço força, coragem e licença pra seguir em frente!

P.S. Obrigado a todos que passaram aqui ao longo deste ano. Cada visita, cada comentário também serviu para eu continuar com os meus devaneios. Feliz 2013, a nós!

Good Luck!!!

Axé 

29 de dez de 2012

eu também não (me) entendo

Não uso muitas metáforas. Mas, este foi o único meio para tentar entender e tentar explicar o que estou fazendo. Já algumas vezes, deixei de ir, deixei de tomar o ônibus, simplesmente, porque uma coisa me dizia para esperar o próximo, acaso, intuição, presságio, não sei! No entanto, me parecia a melhor opção e no fim eu não sabia o que poderia acontecer lá na frente do percurso (pode ter sido um sinal e se tivesse ido talvez nem estivesse aqui). Esses passos para trás também me constituíram. Respeitei aquela pulga atrás da orelha, da mesma forma quando ela assopra que devo ir, devo tentar mais uma vez. Então, esta seria uma das razões, a principal talvez, para estar abrindo mão de uma pessoa pela qual esperei tanto e que me pareceu chegar na hora certa, do jeito certo, dizendo as coisas certa. Sim, foi tudo certo demais (mais um motivo para desconfiar), quase perfeito. Vou seguir sozinho, aliás, voltarei a esperar. Porque tem algo me dizendo que se eu avançar, e seguir neste caminho, ainda que acompanhado, lá na frente o resultado pode não ser tão positivo, nem tão perfeitinho, como foi o começo. 

Good luck! 


P.S. e se der me desculpe algum dia...

24 de dez de 2012

E quando eu menos esperava, onde eu menos esperava a dor bateu forte na boca do estômago. Era saudade, vontade, desilusão, tudo ao mesmo tempo. Eu não entendi porque ali naquele momento, mas não precisava entender. Me entreguei a tudo, vivi intensamente, até a última gota de desespero. Porque quem não tem medo da dor, não auto furta o direito de viver qualquer outro sentimento. Não é fácil, nem bom. No entanto, só quem é desesperadamente louco, vive, mergulha de cabeça conhecendo ou não o que encontrará lá no fundo. E estou nesse caminho de loucura. Quero uma vida de exageros, desesperos, paixões arrebatadoras. Amy entenderia,  ela viveu assim, se mostrou assim assim, e cantou a música que se encaixa perfeitamente àquele momento. As ruas molhadas, a saudade, e tudo mais...


22 de dez de 2012

Para contrariar, mais uma vez!

"Anunciaram e garantiram que o mundo ia se acabar, e o tal do mundo não se acabou", mais uma vez! 
Então, para comemorar, ou simplesmente, para constatar que eu estava certo e nada aconteceria, nada absolutamente nada, nem um misero eclipse. Fica um conto escrito há uns meses atrás, para um concurso literário, que obviamente eu não ganhei! 
Caso alguém ainda leia isso aqui, espero que valha a penas os minutinhos gasto na leitura! Enjoy: 




Para contrariar, aqui estamos

Feliz ano novo. Desejo a mim mesmo. Pela janela consigo ver a cidade amanhecendo cinza. Na rua deserta, sem nenhum veículo, vejo apenas uma embalagem metalizada dançando ao som do vento, sobre e sob o viaduto ao lado não há qualquer resquício da civilização tão incivilizada. O cenário seria perfeito para qualquer filme hollywoodiano de ficção cientifica, uma das maiores metrópoles do mundo deserta após um ataque extraterrestre ou a extinção do ser humano graças a uma pandemia fora de controle.

Não é nada disso. Tenho certeza que em algum lugar perto daqui, em algum desses becos, jovens ainda meio bêbados e recém-chegados à maioridade descobrem o perigo e o prazer do sexo, como eu fiz um dia. Em algum lugar distante daqui, alguma daquelas famílias que um dia tive como vizinhos ainda assam churrasco enquanto o rádio do carro toca uma banda qualquer que eles insistem em chamar de música.  Em algum lugar muito longe daqui Ele deve estar dormindo, talvez entre braços que não são mais os meus.

Um ano começa agora e eu o vejo surgir sem grandes alardes, entre alguns dos livros que Ele deixou e uma garrafa de champanhe pela metade, grande demais para uma única pessoa. Se teve fogos de artifício a meia noite, não lembro. Com certeza teve e em algum momento eu devo ter levanto e olhado as bombas de luzes que explodiam no céu,  não me lembro disso pois na certa as zero hora e um segundo meu pensamento devia estar do outro lado do atlântico.  Eu devia estar pensando nele, como venho fazendo há meses, todos os dias, desde que Ele me avisou com uma felicidade visível que iria para a Europa. Ele partiu deixando pedaços, as suas marcas ficaram espalhadas no Sul e aqui nesta cidade, neste apartamento, em mim.

Desde que Ele partiu eu estou à espera de um cartão postal qualquer, de um e-mail com fotos de algum ponto turístico europeu em anexo, o que faria às vezes de um cartão postal, ou um telefonema em algum horário incomum graças ao fuso horário. O cartão não veio e tenho certeza que jamais virá, o e-mail talvez ainda venha, com poucas linhas, é claro, só pra dizer que é tudo lindo e que Ele está adorando a viagem; só espero que não tenha deixado o telefonema para esta noite, pois não suportei tantas alegrias esfuziantes do outro lado da linha e desliguei depois de ouvir pela terceira vez as mesmas frases em tons idênticos: “Feliz ano novo!”, “Aonde você tá?”, “Com quem?”.

Não tive coragem de responder a última pergunta. Não consegui dizer “estou sozinho”, de alguma forma transformar isto em palavras há horas atrás seria um golpe pesado demais para suportar. Tentei me esquivar da resposta com um “vou dormir, tô muito cansado” ou “acho que vou sair daqui a pouco”.

Há dias me disseram que eu precisava parar de conviver com ausências, mas não posso fugir. Meus fantasmas me acompanham aonde eu vou. Eu trocaria sem pensar uma vez e meia todas as minhas solidões por presenças, por sorrisos no plural no porta-retrato sobre a mesa onde escrevo, por mais um par de pés na ponta da cama junto ao meu.

Esses dois últimos anos têm sido de perdas. A morte me levou uma avó, dois tios, uma prima e dois grandes amigos. Infarto, câncer, AVC, um namorado ciumento e criminoso e o maldito freio do carro que não funcionou quando deveria, foram as razões que me deram. Foi frio demais, cientifico demais pra mim. Perdi. Fui lesado. Foram tirados de mim e ponto.

Perdi dois empregos, um namoro bem começado, mas inexplicavelmente mal vivido. E perdi Ele que foi para o outro lado do Atlântico atendendo o chamado da sua vida, não me opus, preferi evitar qualquer tipo de competição. Carreira, sonho e uma oportunidade única estavam a sua espera lá, aqui estava eu que não ousei pedir que ficasse.  

Seria ótimo se o mundo acabasse numa noite de réveillon, 99% das pessoas morreriam felizes. Pensando bem é claro que isso jamais aconteceria, o final da história não será tão perfeitinho assim. Talvez, uma tarde de maio quando eu começasse a ter esperanças na minha própria vida ou a manhã de um domingo de carnaval sejam mais apropriadas para se acabar com tudo, com a nossa esperança no futuro, com a certeza invisível no amanhã.

Se eu acreditasse em magias, astrologias, numerologias teria esperanças que esse ano será diferente. Segundo a numeróloga um tanto obesa que estava num desses programas que passam à tarde na TV, este será um ano de realizações, segundo ela de “colheita”. Será que eu plantei algo? Quantas vezes será que ela repetiu essas mesmas palavras nos últimos fins de ano? Pelo que me lembro, essa foi a última vez que dei uma bela gargalhada. Ri ao imaginar as inúmeras pessoas que também estavam ouvindo aquilo e pior estavam acreditando no que aquela senhora dizia.

São quase sete horas da manhã um senhor carregando um saco preto nas costas prova que ainda há vida no planeta e atravessa a avenida em direção ao viaduto, provavelmente é lá que ele vive, a cena me desvia dos meus pensamentos um instante. Apenas observo. O dia já está mais branco do que cinza. Tudo continua igual ao ano passado, ao retrasado, aos anos da primeira década do século. Tenho medo só de pensar o que eu faria se assim como as outras pessoas tivesse acreditado que seria tudo diferente com a chegada de um novo ano e então percebesse que continua tudo exatamente igual, a exceção do calendário que foi trocado por um novo em folha.

O que eu queria é uma vida nova a cada ano. Uma nova chance para viver a minha história de maneiras diferentes e inexplicáveis a cada primeiro de Janeiro. Assim como me desfaço do calendário antigo, seria mais fácil me livrar do passado, do peso dos anos, dos fantasmas e decepções que me acompanham a cada dia pouco importando o ano.

Hoje são me oferecidos mais trezentos e sessenta e cinco dias para tentar sobreviver. Felizmente um dia a menos que o ano terminado há poucas horas. Tento sorrir, mas não consigo. No entanto a falsa ilusão de que pode ser tudo diferente a partir de hoje me tranquiliza. Nunca é, e eu sei disso.

Continua tudo exatamente igual. Minhas incertezas quanto ao amanhã. O medo de não chegar ao próximo aniversário, ou de não estar mais aqui para abrir a porta quando Ele voltar. Se é que Ele me procurará caso retorne um dia.

São quase oito horas da manhã e já vejo surgir aqueles que voltam à normalidade do seu dia-a-dia: uma senhora de cabelos grisalhos que volta da padaria com uma sacola azul, o homem que passeia com seus cachorros ou o jovem casal de namorados que entram no prédio ambos vestindo branco e visivelmente cansados. A normalidade da qual não me afastei nas últimas horas, enfim começa lentamente tomar conta de todos.

Daqui a dois dias volto a trabalhar e o faço, pois daqui a cinco dias as conta voltarão a aparecer. Pois a vida continua, para contrariar aqueles que não acreditavam nisso. Exatamente igual, para decepcionar aqueles que acreditaram que algo mudaria.

Cheguei até aqui numa cidade que não é a minha, no primeiro dia, nas primeiras horas de um ano que muitos anunciavam que jamais chegaria. Chegou. Chegamos. Contrariando previsões, desafiando a certeza de muitos, cuspindo sapos e chutando pedras. Pois não é fácil remar contra a maré, nem ser desafiado a sobreviver a cada novo dia. Sobrevivi. Estou vivo. Vejo o amanhecer que alguns acreditaram que não iria acontecer. Aconteceu. Chegou. Resistimos. Somos dois desacreditados, isso me desperta certa simpatia. Vivo esta manhã.

Uma das poucas certezas que tenho: estar vivo, continuar respirando e sentindo o coração pulsar. Apenas isso me dá um fio de esperança de que estarei vivo amanhã, que sobreviverei até o próximo aniversário e que estarei aqui até que Ele volte e bata à minha porta.

Abro a janela e coloco o rosto para fora. Não há sol, mas uma claridade intensa. Ainda há o silêncio incomum para esta cidade, principalmente neste horário. É primeiro de janeiro continuamos existindo e eu preciso dormir. Mas antes, abro um novo documento na tela do computador. Minha história, este ano, começa aqui entre a solidão e a folha em branco. Escrevo.

21 de dez de 2012

baby, você precisa saber de mim...

as coisas mudam. eu mudei, mais uma vez. 
eu que sempre preferi Bethânia, Elis, Elza, hoje tive uma vontade louca de ouvir Gal... cantei junto, recordei, chorei... Sua estupidez, Vapor Barato, Lanterna dos afogados... mas Baby, ah baby, tive que repetir várias vezes... de repente ela, a música, fez todo sentido pra mim... justo pra mim que não faço sentido algum!? 

o que eu quero? ...

nem palavras, promessas ou juras de amor
espero gestos, verdade, ações! 

15 de dez de 2012

olhos nos olhos

gosto de olho no olho. eles sempre dizem muita coisa. às vezes, insistem em desmentir o que a boca diz ser verdade. outras, nem é necessário qualquer palavra. é através deles que reconheço que a sua dor é um pouco minha também. esse brilho triste também já foi meu e se apagou. e essa esperança que o preenche de uma cor tão densa é a mesma que me vez estar aqui até agora. olhando-te. 

11 de dez de 2012

tenho andado sem respostas:

Venho cultivando a ignorância. Estou com medo de saber: revirar gavetas, recapitular histórias, somar-dividir-subtrair e no fim perceber que saí perdendo mais uma vez. Tem sido melhor não pensar, nem tentar descobrir se fiz a coisa certa, ou, se estou fazendo a coisa certa. Apenas estou fazendo e pronto. 
Sigo cumprindo com as obrigações, pagando as contas, vivendo cada dia. Já espero que o próximo ano seja melhor, o próximo dia, eu espero apenas chegar inteiro ao final dele. 
Tenho sofrido menos que antigamente. Mas, também tenho me alegrado menos, me surpreendido menos. Apesar, de as pessoas continuarem rindo das minhas graças, piadas e gafes. Sorrio, mas sei que os meus olhos revelam, assim como as unhas roídas, que nem tudo está tão bem assim. 
Acho que a vida, perdeu um pouco das suas cores, ao menos as de antigamente. E não é amargura. Talvez um dia volte a ter aqueles mesmo olhos claros que viam tudo pelo lado melhor. 
Talvez isso, não faça sentido. Foda-se, outra preocupação abandonada lá atrás, não quero fazer sentido, nem ser entendido. Quero ser amado, ter dinheiro, e uma grande biblioteca. Quero ter gatxs, cachorrxs, e uma casa com rede no quintal, mas bem no centro da cidade. 
Ainda gosto de paradoxos. 
Queria notícias de algumas pessoas. O abraço de outras. Um conselho, um olhar, um sorriso. Tenho sentido saudades, além de medo.
Venho planejando mais e sonhando menos. E acho que descobri porque nunca gostei das coisas exatas, não há surpresas, nem aquela sensação de incredulidade. Mas, não tenho vivido surpresas nem coisas incríveis, então está valendo. 
Está valendo sim. Quem sabe um dia eu volte a ser aquela metamorfose louca?  Já estou voltando a escrever, enfim, talvez seja um começo ou mais uma virada de página! 

p.s. não me pergunte se estou feliz: tenho andado sem repostas para muitas perguntas! 

24 de nov de 2012

certas páginas me dizem coisas: para cortar os pulsos

"É uma escolha, percebe? No final das contas, metade dos encontros que você faz é regida pelo acaso, mas metade é obra do seu próprio esforço e vontade. E como 50% de chance não são nem uma coisa nem outra, a verdade é que a gente sempre sabe. E sempre controla. Mas sempre sofre como se não soubesse. Porque, na hora de sofrer, a gente esquece tudo mesmo."

(Trecho de Música para cortar os pulsos de Rafael Gomes)

PS. depois de ouvir (ou ler) uma coisa dessas,  aí você pensa: porra eu não sou o único! 

8 de nov de 2012

encontre-me


no fundo eu sei (sempre soube) que um dia
você me dirá, assim como na canção, 
que apesar de tantas voltas pelo mundo
o que lhe faltava era eu...

2 de nov de 2012

esperança

quem irá me salvar de mim mesmo?
tão pouco para desejar
tanto para conquistar
alguém para tornar insignificante
essa solidão que me assombra?

enquanto espero escrevo
enquanto escrevo espero
rezo, canto, rio, leio, insisto por mais alguns instantes...



20 de out de 2012

não deveria ser adeus (se, essas desgraças chamados vizinhos não fossem assassinos)



de uma hora pra outra a casa ficou imensa, vazia, deserta. é ironicamente doloroso pensar que você com seu pequenino corpo negro preenchia tudo, estava em cada canto, marcou cada canto, com alegria e carinho. quando você chegou era tão pequenina cabia na palma de uma única mão, e de mansinho com delicadeza e jeitinho foi conquistando tudo e virou o centro das atenções. mas agora você se foi o vazio é imenso a dor também. dói acordar e não ter você perdida no meio da coberta ou escondida embaixo da mesa. dói não te ter por perto, para cima e pra baixo e na hora de assistir TV. é insuportável os tapetes todos no lugar, não ter bolas brinquedos e sacolas de supermercado espalhadas pela casa, nem você tentando se esconder em bolsas e guarda-roupas.  ou ainda, nas suas poses mais blasés ou de criança brincalhona. é angustiante pensar que você não estará mais aqui pra se sentar bem na frente da tela do computador ou pra roer os livros do Dickens ou da J. Butler. menina, curica, amendoim, coração. você era mais especial por não ser gente. esse tipo que se diz humano, mas é capaz das piores baixarias, tanto quanto envenenar um ser inocente e indefeso. um bebê-meio-anjo e com quatro patas. seus olhinhos estralados iluminaram essa casa como há muito não era possível. você sabia que podia tudo e mesmo assim nunca abusou disso, nunca foi além da conta. eu acredito que no céu haja bibliotecas, e livros e que a gente possa ler, como disse Adília. e também acredito que haja animais e sei que você está lá nesse instante. ah, como tudo poderia ser diferente e você estaria brincando ou dormindo agora aqui na cama ao lado. mas ao invés de vizinhos eu tenho um bando de filhos-da-puta, Covarde Assassinos que não conhecem e nem conhecerão o Amor ou um sentimento Verdadeiro.



Graxinha, pra sempre “a coisa mais linda da casa”.


Com lágrimas nos olhos e tentando achar forças pra sorrir aquele sorriso que você arrancava com a maior facilidade!

13 de out de 2012

errante


Eu me pergunto se quem errou fui eu?
Não certa sim, mesmo sem saber aonde, como, quando, nem quanto.
Mas o problema está em mim eu suspeito.
Eu sou errado
nasci numa hora errada,
no país errado,
na época errada,
me deram o nome errado,
frequentei escolas erradas,
fiz amigos errados,
coisas erradas,
só amei pessoas erradas,
confiei em gente errada,
investi no projeto errado,
escolhi a faculdade errada,
comprei coisas erradas,
ganhei presentes errados,
fui com a roupa errada,
caminhei pela rua errada,
no dia errado,
arrisquei na alternativa errada,
briguei de forma errada,
me calei na hora errada,
disse coisas também erradas,
sofri pelo motivo errado,
desconfiei da criatura errada,
me zanguei estando errado.

Definitivamente, eu não sou o cara certo.

9 de out de 2012


Parece-me igual dos deuses
ser aquele homem que, à tua frente sentado,
de perto, doces palavras, inclinando o rosto escuta

e quando te ris, provocando desejo; isso, eu juro
me faz com pavor bater o coração no peito;
eu te vejo um instante apenas e as palavras
todas me abandonam

a língua se parte; debaixo da minha pele
no mesmo instante, corre um fogo sutil
meus olhos não veem; zumbem
meus ouvidos;

um frio suor me recobre, um frêmito se apodera
do corpo todo, mais verde que as ervas
eu fico; e que já estou morta,
parece.


Safo





O nascimento de Vênus - A. Cabanel (1863)

29 de set de 2012

entre


Ele abre a porta e abre um sorriso desajeitado
vira as costas e vai embora
Ela abre a boca diz o que não deve
agora chora embaixo do chuveiro
O outro abre várias garrafas bebe demais
e não sabe se ri ou chora
Eles fecham o carro abrem o zíperes
o vidro embaça
Na esquina alguém não olha o sinal 
atravessa o carro não para
Elas dançam há horas abrem os braços
sorriem juntas
Um observa o outro 
observa muita coisa é dita sem precisar de palavras

15 de set de 2012

de tanto aperto meu coração virou um micro-coração


w., 

poderia ter dado certo, mas não deu. e agora eu fico me perguntando: por quê? tento adivinhar onde você está agora? o que anda fazendo, escrevendo? se ainda pensa em mim? fico pensando porque quase nada saí como eu planejo nem espero, se terei chance de ser feliz por mais que alguns minutos... todas essas coisas que se eu contasse, você riria de mim e diria que eu ainda estou novo demais pra ser tão pessimista. ainda acho que não sou. é que hoje eu acordei doído, com vontade de abandonar as milhares de coisas que fiz e fugir em busca de um papo, um abraço, um contentamento. porém, nos instantes em que a minha atenção se dispersava o que eu via não era nada animador, então inventei mais coisas para fazer até agora, para não pensar no cenário atual da minha vida. e já não sei porque escrevo me dirigindo a alguém, minhas palavras não são mais pra você...



PS:



Elza, inigualável Elza!!! 

4 de set de 2012

ironias da vida (para rir ou chorar, ou, os dois ao mesmo tempo)



Definitivamente, quando a vida resolve tirar uma da minha cara, ela faz melhor do que ninguém.

a)Dentro do ônibus entre um assunto e outro ela disse: "Não vejo a hora de chegar as férias, não aguento mais ter aula!"
E, eu quase chorando: "Não vejo a hora de ter aula, não aguento mais ter greve!

b)Não bastasse isso, (justo hoje) abro o e-mail, leio o que importa, deleto os 98% que não me interessava, quando estava prestes a clicar em sair um novo e-mail, da camicado, óbvio era uma propaganda - "Venha fazer sua lista de casamento". Só me restou gargalhar alto e deliciosamente, porque ninguém me aturou mais que 3 semanas, pensar num relacionamento passageiro já é quase uma utopia (ainda mais nessa semana), e sou obrigado a receber isso.  

PS. se ainda fosse a propaganda de uma dessas agências de encontros, do tipo: "encontre sua alma gêmea respondendo apenas 25 questões", poderia rever todos os meus preconceitos contra elas. 

o que é que eu faço agora?

o vidro rachado, foi estilhaçado no chão. farelo, pó, quase nada. não foi tiro, nem pedra, nem pau. mas, o ponto final lançado que me fez desmoronar. e, me encontro de novo nesse lugar tão meu. vazio. não escondo minha culpa, ela escorre pelo asfalto tingindo tudo de vermelho. preciso encontrar forças de algum lugar desconhecido para virar a página. não posso mais me apegar a você na esperança de que chegue logo o mês que vem. amanhã tenho que estar menos quebrado. mais inteiro. pois, com reparos, ranhuras e frestas ainda escreverei muitos capítulos. 

22 de ago de 2012

Nenhuma certeza quanto ao futuro, até mesmo o meu presente está repleto de dúvidas. 



PS:  felizmente, ainda há músicas, livros e amigos. 

20 de ago de 2012

"Que o digam os campos de concentração e as torturas! Provavelmente, de todos os nossos sentimentos, o único que de fato é nosso é a esperança. A esperança pertence à vida, é a própria vida se defendendo." 


Júlio Cortázar - O jogo da amarelinha

19 de ago de 2012

amor

por Carolina Ferraz,

"... toda minha vida é pautada por amores que tive ou gostaria de ter..."





PS: Vídeo realizado para O Amarello

16 de ago de 2012

today

Acho que perdi a minha ingenuidade. Agora dificilmente acredito cegamente e só hoje percebi isso. Não tenho me alegrado com promessas, vou esperando que a coisa aconteça. Não faço mais festas com simples nuvens escuras, espero o chão ficar ensopado para enfim dançar de pés descalços, me alegrando pelas gotas que caem. É claro que isso é uma metáfora. Tenho desejado bem mais que chuva, muito mais. Porém, previsões e quase-certezas não me acalentam. Só me restou a esperança. Torcer para que um dia a coisa desenrole e aconteça, para que amanhã, ou no mês que vem, ou daqui uns anos eu tenha algo concreto para comemorar.

7 de ago de 2012

"minha decoração é um excesso de ausências" 

Santiago Nazarian - A morte sem nome


6 de ago de 2012

Esperar cansa. Eu já estou cansado de tudo. É muita falta e tanta ausência. O tempo passa de pressa, corre, mas a paisagem não muda. 


Cansei
de esperar mais meia hora
um dia um ano
uma eternidade


Quero
a felicidade agora
ontem já era tarde
para ser ao invés de esperar

4 de ago de 2012

Eu sou um “semialfabetizado” também!


Após ler a matéria intitulada “Professores da Unifesp de Guarulhos defendem mudança do campus para SP”, publicada no site do Estadão em 03 de Agosto de 2012, não pude deixar de me sentir envergonhado e ofendido pelas declarações ultrapassadas, preconceituosas e até mesmo errôneas. Que têm por base alguns sensos comuns, fundamentados por uma visão elitista e excludente, que infelizmente são compartilhados por muitos daqueles que trabalham e estudam na Unifesp – Guarulhos.

Sou aluno do curso de Letras, ingressei na Unifesp em 2009, logo, faço parte da primeira turma de tal curso. Fui aprovado na primeira chamada, na habilitação Português-Inglês, naquele ano o curso mais concorrido entre os oferecidos no campus de Guarulhos, sem nunca ter frequentado qualquer curso pré-vestibular. Desde então à custa de muito esforço e dedicação tenho tido um bom desempenho acadêmico, sendo aprovado em todas as matérias nas quais me matriculei. Mas e daí? E daí, que eu escolhi ficar na Unifesp. Apesar de aprovado em outras duas instituições e da possibilidade de ser aprovado na tão desejada Universidade de São Paulo – USP. E daí, que eu estudei a vida inteira em escola pública, excelentes escolas por sinal, localizadas justamente na região dos Pimentas, para a surpresa de muitos.

Assim, ao ler "Estudantes com melhor preparo desistem de frequentar a EFLCH, obrigando-a a receber estudantes semialfabetizados" só posso me sentir indignado. Primeiro, conheço outros alunos da Unifesp - Guarulhos com situações semelhantes ou idênticas as minhas, alguns já estavam lá quando eu cheguei e outros foram conquistando o direito de cursar uma universidade federal ao longo desses quatro anos em que frequento o curso. Segundo, todos os alunos tiveram de passar por um exame que lhes permite-se ingressar no ensino superior, seja o vestibular, pelo o qual passei, seja o SISU mais recentemente; tais exames visam unicamente selecionar os candidatos aptos ou não a se tornarem alunos da graduação, eles sim “obrigam” a Unifesp a receber os tais “semialfabetizados” (entre os quais me incluo) e não a localização do campus ou a evasão daqueles que partiram para uma Universidade com melhor infraestrutura, organização e reconhecimento.

Outro fato que pode causar estranheza, é que recorrentemente alunos de escolas públicas da região - como as reconhecidas E. E. Profª Maria Aparecida Rodrigues, E. E. Profª Maria Aparecida Felix Porto e E. E. Profº Antonio Viana de Sousa (na qual cursei da 5ª série do ensino fundamental ao 3º ano do Ensino Médio), bem como, o Cursinho Comunitário Pimentas CCP - a cada ano ingressam em diferentes instituições públicas do país, ao contrário do que muitos posam pensar, em cursos concorridíssimos, como veterinária, artes cênicas, engenharia, música, enfermagem, direito, entre outros.

Vale ressaltar, que se o corpo discente não é formado pelos “bens colocados”, ou seja, se a Unifesp foi apenas a segunda, terceira ou última opção de onde estudar, como pelo visto pensam alguns, o mesmo se repete entre o corpo docente, afinal nós que somos alunos sabemos que a grande maioria, salvo exceções, dos professores doutores estão na Unifesp, pois não foram aprovados em concursos públicos para as tão cobiçadas USP, UNICAMP, UFRJ, UNB, entre outras.

Tenho medo e vergonha de pensar que tal atitude e pior tais declarações partam de doutores das ciências humanas, professores de futuros professores. Ora, será que aprenderemos a reproduzir um pensamento excludente e preconceituoso num futuro que está cada vez mais próximo?

Pois, ao ler “a unidade é isolada geográfica e culturalmente, além de não acrescentar nada à região onde está, no carente Bairro dos Pimentas...” não posso deixar de pensar na desvalorização da cultura produzida nas periferias, pois até onde sei  a cultura é intrínseca ao ser humano, logo, existe até mesmo nos Pimentas. O que acontece é que esta, ainda que periférica, é desconhecida para muito daqueles que se restringem a “viajarem” em seus carros até o campus, ministrarem ou assistirem suas aulas e voltarem o mais rápido possível para as suas casas.

É verdade que estamos distantes de grandes museus, espaços culturais, bibliotecas. Mas não seria a Unifesp responsável pelo estabelecimento a médio e longo prazo de uma “ilha de excelência” na periferia de Guarulhos, como ouvíamos nos primeiros anos dos cursos? O que culminaria na implementação de espaços culturais diversificados na região. Não caberia a própria Unifesp, desde o princípio, a organização de uma descente biblioteca que atendesse alunos e moradores? Mas, que até hoje não atende nem mesmo os próprios alunos devido à falta de infraestrutura (espaço) e de livros. Sim, temos um acervo pequeno e restrito. A culpa também é dos Pimentas? E, sobretudo, se a Unifesp “não acrescenta nada à região” a responsabilidade é dos moradores ou daqueles que deviriam ter se integrado aos bairros que formam a gigantesca região dos Pimentas? Por que não ofereceram aos moradores a possibilidade de acesso ao conhecimento e a “cultura” que julgam tão inexistentes por aqui, ao invés de se isolarem entre os muros da instituição e suas salas de aula?

O acesso ao campus não é ruim, ele é péssimo. Assim, como todos os acessos a região. Mas os problemas do transporte público e da mobilidade urbana já foram bem piores em Guarulhos, o que não impediu e não impede que inúmeros moradores da região dos Pimentas trabalhem nos mais dispares cantos da cidade de São Paulo, ainda que tenham que sair de madrugada e tenham voltar para casa quando já é noite, pois dependem do ainda precário (como na parte do Brasil) serviço de transporte público.

Por fim, se “a Unifesp não faz nada especificamente para a população local" me questiono se não está na hora de mudarmos isso e, já tardiamente, começarmos a fazer alguma coisa, ao invés de sairmos com “o rabinho entre as pernas” e com alguns dos poucos livros que existem debaixo do braço?
No entanto, ainda que a Unifesp não faça nada para a população, como se reconhece, isso não impede que alguns dos “semialfabetizados” que aqui residem sonhem cursar um curso superior nesta instituição, assim como eu sonhei um dia. E, enquanto existir ao menos um único morador(a) dos Pimentas, que pretenda ingressar na Unifesp, não tenho dúvidas que o lugar dela é aqui. 


P.S. quanto a não obediência das regras imposta pela norma culta da língua portuguesa levem em consideração que sou um semialfabetizado também. 

22 de jul de 2012

espólios de um sábado à noite

1.
Arrependa-se depois, mas não durma com vontade.
Nas vezes em que fiz valer tal máxima, o arrependimento quando apareceu, logo sumiu. Mas, ontem esqueci de tudo o que disse para eu mesmo afim de me convencer, não fiz o que queria ter feito de verdade (por vergonha, medo, talvez uma forma de proteção). O relógio  já marca mais de onze da manhã, o sol, felizmente, tá brilhando e eu ainda não consegui fechar os olhos.

2. 
Noite de sábado. Um lugar incrível, músicas incríveis, pessoas incríveis, uma noite incrível e muito feliz. Mas, eu não pude deixar de me perguntar onde estava você? Por que não estava comigo? Por que não estou contigo agora? 

3.
Ele renova as suas esperanças de um final feliz a cada amanhecer que compartilhamos. Eu torço por ele. Torço por eles. E tento aprender como não perder as esperanças. Ele que tanto me ensinou sobre amizade, cumplicidade, sinceridade e como cultivar tudo isso, talvez ainda me ensine a não entregar os pontos tão cedo, a acreditar apesar das desilusões e almejar um final feliz para a minha história também. 


13 de jul de 2012

Pra você dar o nome

para w.

Nos falamos como se as semanas em que não trocamos nem mesmos mensagens curtas não passassem de algumas horas. Quanta coisa aconteceu na vida de ambos. Coisas passadas, mas que precisavam ser compartilhadas; planos para o futuro, que ambos se alegram em compartilhar um com o outro. Aquela intimidade não era forçada, era como se aquelas poucas semanas em que compartilhamos horas ininterruptas de conversas e carinhos, alegrias e angústias, receios e receitas, ainda perdurassem. Quando nos despedimos só me restou a dúvida se fiz o certo, se fizemos as escolhas certas. Depois de horas insone, sem nenhuma resposta, mais uma dúvida: será que você ainda pensa em mim, como eu penso em você? 

???

(p.s. não se vá)

12 de jun de 2012

se é pra falar de amor...

... eu recorro aos mestres, no caso, a mestra, porque ando sem inspiração para esses assuntos


Não ames como os homens amam.
Não ames com amor.
Ama sem amor.
Ama sem querer.
Ama sem sentir.
Ama como se fosses outro.
Como se fosses amar.
Sem esperar.
Por não esperar.
Tão separado do que ama, em ti,
Que não te inquiete
Se o amor leva à felicidade,
Se leva à morte,
Se leva a algum destino.
Se te leva.
E se vai, ele mesmo...



Cecília Meireles 

- do livro Cânticos
- Feliz dia dos namorados!


31 de mai de 2012

quase uma "trilha sonora de amor perdido"


L.

Nos primeiros acordes eu reconheci a música. Lembrei-me de um tempo e, sobretudo, de você. No fundo, você e eu, sempre precisamos de "um pouco de atenção". Aquela época era tudo tão novo, eram “dias tão estranhos". Podíamos até não saber quem éramos, mas já sabíamos “do que (ou de quem) não gostávamos”. Quando cantarolávamos as músicas da Legião, eu sempre cantava mais baixo, para te ouvir melhor... até silenciar por completo e deixa você cantando até o fim. Não sabíamos nem mesmo nomear o nó na garganta que aquelas letras nos causavam. Era angústia, mas não a tínhamos provado em grandes doses, então era impossível nomear. Hoje, a letra foi um soco no meu estômago. Veio o nó na garganta. Eu percebi que o tempo passou, deu saudade daquela época, de ti, de todos. Eu chorei. Por você, por mim, por nós. Por tudo o que aconteceu. Você não está mais aqui pra ver "aonde eu cheguei", não foi muito longe, mas enfim, foi o que deu pra arranjar, por enquanto. Já envelheci quase dez anos. Muito mais que as semanas em que "nossas vidas se encontraram" e vivemos aquele "sonho bom", apesar de tudo. Você dizia que daria certo. Eu, realmente, espero que sim. Espero que até onde deu,  tudo tenha saído como você esperava, ou desejava. E, se um dia "nossas vidas se encontrarem", nos divertiremos outra vez. 

22 de mai de 2012

S.



os olhos dele pousaram nos meus
de forma diferente 
como se quisesse me dizer algo
que tenho esperado ouvir



P.

talvez ela nem saiba, mas os gestos delicados e o olhar doce, cor de mar, me passam a segurança que nuca tive. Ela diz "vai dar certo" e, eu me esforço para ter toda aquela certeza. No fim, só me resta agradecer e constatar que daquele pequeno grupo dos que nunca me decepcionaram ela é um membro ilustríssimo...

13 de mai de 2012

"Escorro entre palavras, como quem navega um barco sem remo..."


Prosa poética

Viviane Mosé

Nunca fui de ter inveja, mas de uns tempos pra cá tenho tido.
As mãos dadas dos amantes tem me tirado o sono.
Ontem, desejei com toda força ser a moça do supermercado.
Aquela que fala do namorado com tanta ternura.
Mesmo das brigas ando tendo inveja.
Meu vizinho gritando com a mulher, na casa cheia de crianças,
Sempre querendo, querendo.
Me disseram que solidão é sina e é pra sempre.
Confesso que gosto do espaço que é ser sozinho.
Essa extensão, largura, páramo, planura, planície, região.
No entanto, a soma das horas acorda sempre a lembrança
Do hálito quente do outro. A voz, o viço.
Hoje andei como louca, quis gritar com a solidão,
Expulsar de mim essa Nossa Senhora ciumenta.
Madona sedenta de versos. Mas tive medo.
Medo de que ao sair levasse a imensidão onde me deito.
Ausência de espelhos que dissolve a falta, a fraqueza, a preguiça.
E me faz vento, pedra, desembocadura, abotoadura e silêncio.
Tive medo de perder o estado de verso e vácuo,
Onde tudo é grave e único. E me mantive quieta e muda.
E mais do que nunca tive inveja.
Invejei quem tem vida reta, quem não é poeta
Nem pensa essas coisas. Quem simplesmente ama e é amado.
E lê jornal domingo. Come pudim de leite e doce de abóbora.
A mulher que engravida porque gosta de criança.
Pra mim tudo encerra a gravidade prolixa das palavras: madrugada, mãe, Ônibus, olhos, desabrocham em camadas de sentido,
E ressoam como gongos ou sinos de igreja em meus ouvidos.
Escorro entre palavras, como quem navega um barco sem remo.
Um fluxo de líquidos. Um côncavo silêncio.
Clarice diz que sua função é cuidar do mundo.
E eu, que não sou Clarice nem nada, fui mal forjada,
Não tenho bons modos nem berço.
Que escrevo num tempo onde tudo já foi falado, cantado, escrito.
O que o silêncio pode me dizer que já não tenha sido dito?
Eu, cuja única função é lavar palavra suja,
Neste fim de século sem certezas?
Eu quero que a solidão me esqueça.


12 de mai de 2012

do que é eterno... ou, para não esquecer

para S. e T.

Não termina assim. Não há fim pra esse tudo que foram vocês. Na verdade, o que fica de impalpável: lembranças, memórias afetivas, sentimentos, ninguém pode apagar. Quando este sentimento é maior que a ignorância e o ódio alheio, aí nada pode destruir. O tempo dissolve, espalha, mas ele persiste. Em cada novo olhar de um casal apaixonado, no abraço entre aqueles que se querem bem ele voltará a brilhar, mesmo que imperceptivelmente. O que tem por base a verdade e o respeito não é nem mesmo trincado pelos equívocos de quem vê a vida em tons de cinza. Guardo comigo a certeza de um real afeto, surgido pelo encontro que há séculos já fora previsto. É isso que permanece, permanecerá o afeto. O afeto e a verdade com que construíram suas vidas ficarão gravados na pele, até que ela se torne pó novamente; na memória, até o momento em que ela se apague, como a chama de uma vela; nos lugares por onde passaram, nos pontos exatos em que pisaram e entrelaçaram as mãos pra assistir o pôr do sol, até o exato momento em que eles não existam mais.  Mas, mesmo assim, não há fim. E a presença continuará a ser sentida por muitos e muitos outonos. Não há fim, pois permanecem sorrindo para aqueles com quem dividiram sorrisos, para quem provaram a força do amor...

p.s. não esquecerei!





2 de mai de 2012

...para não desistir

Com uma dose extra de coragem, um tanto de forças emprestadas e a loucura que me é peculiar me agarro com todas as forças na esperança...

28 de abr de 2012

25 de abr de 2012

do que eu ainda não entendo

w.

apesar de pedras e bombas 
é sempre bom ter durante o dia 
palavras que não são minhas
que pretendem ser beijos
e que ainda nem entendo direito

Confrontação

E, eu tentava mentalizar: calma vai passar; tudo passa; você já passou por coisas piores e maiores. Sei que é apenas um contratempo não chega a ser um problema, mas o que me incomoda é essa mania, quase defeito, de me preocupar demais, de me comprometer demais, de sempre esperar que tudo saia da melhor forma possível.

Sim eu me desgasto; eu gasto minhas energias, perco meu sono pensando no que fazer, o que isso vai resultar, quais os prós e os contras de dizer sim ou não, ir ou ficar. No fundo sou indeciso. E inseguro. O que para a maioria das pessoas é um coisa simples, pode ganhar um dimensão enorme quando se trata de mim. 

Estou entre o agora e o futuro, um pé aqui o outro já tentando alcançar lá na frente. Impossível! Eu sei que me frusto, sofro por antecipação, já até adoeci. No entanto, se sofro demais por algo que ainda nem aconteceu, também me alegro muito antes mesmo de poder comemorar. Porque, sou tudo isso muito intenso, não dá pra mudar. E a vida nos dá as suas recompensações...

8 de abr de 2012

"olha
eu gostava 
é que tu gostasses de mim"




hoje os versos de Adília ressoaram em minha mente. que os ventos os conduzam aos teus ouvidos, pois são todo o pouco que eu gostaria de dizer. deixo o poema por inteiro, porque de todo sofrimento e do humor que sobrevive se constrói poemas, livros, vidas



NÃO GOSTO tanto 
de livros
como Mallarmé
parece que gostava
eu não sou um livro
e quando me dizem
gosto muito de seus livros
gostava de poder dizer
como o poeta Cesariny
olha 
eu gostava 
é que tu gostasses de mim
os livros não são feitos
de carne e osso
e quando tenho
vontade de chorar 
abrir um livro
não me chega
preciso de um abraço
mas graças a Deus
o mundo não é um livro
e o acaso não existe
no entanto gosto muito de livros
e acredito na Ressurreição
dos livros
e acredito que no Céu
haja bibliotecas
e se possa ler e escrever.

Adília Lopes In: Florbela Espanca espanca, 1999.