28 de fev de 2013

E nada mais está subentendido



w.

Eu não sei se conseguirei comer comida mexicana novamente sem lembrar de você. E toda vez que eu ouço falar da Elizabeth Taylor, ou de alguns de seus filmes, é de você que eu me lembro, de nós dois, e daquele filme que não vimos juntos, mas que acabou ficando com você, apesar de o DVD ser meu. E, na verdade, eu não precisava de nada disso para me lembrar de você, porque nunca esqueci, porque você ainda rouba meus pesamentos quando caminho pela Paulista ou subo a Augusta, ou passo por ambas, quando tento entender qualquer coisa de filosofia, quando saio comparando qualquer outra pessoa que entrou na minha vida nos últimos meses a você, mas ninguém se compara a você. E quando esfria é com você que eu queria estar e quando esquenta eu me lembro das viagens que não fizemos. E eu, ainda, sinto falta do seu abraço. E só agora eu consigo entender a beleza e aquele brilho diferente que tinha os seus olhos. É duro e doce lembrar como o meu coração batia mais forte nos primeiros instantes em que eu ouvia sua voz no celular. Quando eu vou ao cinema lamento que você não esteja comigo e quando eu saio lamento mais, porque você não estará me esperando ali na esquina, nem poderei te contar o que achei do filme. Eu só estou escrevendo tudo isso, porque todas as minhas certezas ruíram: eu já não acho que fiz o melhor para você, simplesmente indo embora para que você encontrasse alguém melhor do que eu. Eu deveria ter te agarrado bem forte, ao invés de abrir mão, eu deveria ter voltado do meio do caminho, naquela noite de chuva, batido de novo na sua porta e ficado para sempre. E, no fundo, no fundo mesmo, eu estou escrevendo isso, na esperança que você um dia leia. Porque você, só você, saberá que isso tudo é pra você. Talvez, eu devesse simplesmente copiar e te enviar por e-mail, carta ou telegrama, mas eu não quero instalar um caos na sua vida, que pode estar indo muito melhor sem eu. Talvez, você possa questionar se demorou tantos meses para eu perceber isso, mas não, faz tempo que eu sabia de tudo isso, eu só não tinha coragem de despejar tudo pra fora, e me deparar como o passado, com a sua ausência e a minha solidão. Agora saiu tudo, está tudo aqui eternizado em palavras, já que não te tenho perto, já que não seremos eternos. 

15 de fev de 2013

"Ele gosta de despedidas e reencontros. Tudo entre um evento e outro não passa de uma longa viagem. O que marca é a dor da saudade e a alegria de abraçar de novo quem reconhece ao longe."

[sobre idas e vindas]