20 de dez de 2015

a beleza que se vê além dos olhos
pode encantar mais que davi, scarlett johansson ou louis garrel
juntos em uma foto no instagram 

17 de dez de 2015

Filme em preto e branco

sobre I.

a memória não se apaga facilmente
há as ruas percorridas
as fotografias escondidas 
o perfume persistente
a tua não-presença 
torna a minha vida um constante filme em preto e branco

29 de nov de 2015

Fracassamos

ninguém pode entender de amor bem-sucedido. 
                                                                                      Exceção
pode parecer uma certeza barata 
                                                          de juventude
                              mas não
                                                 Amores bem-sucedidos podem acontecer
eu conheço um caso 
                                             você outro 
                        a vizinha diz que já conheceu dois. 

                                          não há como prever o encontro que resultará em 
                                                                                                          um duradouro e feliz caso de amor
são como os deslocamentos que acontecem no interior do planeta
                                                                                                    e provocam os terremotos
a qualquer momento podem acontecer
                                                                          o amor
                                                                      e o terremoto

o que sabemos são dos amores 
interrompidos 
               não correspondidos
                                       abortados 
                                                      traídos
                                                               minguados 

o que seria da poesia 
sem uma dor de cotovelo
poetas conhecem a dor que o amor pode provocar

                                                                                  o que seria da música 
                                                                                             sem as dores de amor para serem cantadas
                                                                                  Piaf
                                                                         Nina
                                                                Amy 
                                                     Maysa 
                                      Bethânia
                            Chico
            Lupicínio
    Elza
            seriam vozes que cantariam acordes sem dramas 
em suas casas amarelas





P.S. Ao som de 

1 de nov de 2015

Itinerário sentimental

Daqui, vejo a chuva molhar as folhas do quintal e derrubar mangas verdes do pé. Está tudo cinza. E não estou falando da cor da parede do quarto. Sinto falta do sol radiante do Rio. Aquela diversidade de cores que explodem ao longo do dia e se amenizam durante as madrugadas, que não apagam os dourados dos corpos. C. me fala do calor de Recife, da brisa que quase posso sentir e do sol, que deve ter o brilho de seu sorriso. 

4 de out de 2015

sonhos de um tempo futuro

Em uma noite dessas, sonhei que nos reencontrávamos. I  estava bem, feliz, sorridente. Falávamos do tempo sem nos ver, de como as coisas mudaram. Era carnaval, a mesma época na qual I se foi. Eu estava com a fantasia posta... mascarava a dor em um sorriso, amarelo como as pedrarias. Na despedida uma senhora negra, vestida de baiana me transmitia, com um olhar, a frase com a qual me despedi: 
"quando eu der uma festa e você não for porque está muito feliz e ocupado, eu ainda assim me alegrarei, porque quando você estava mal e triste eu estava aqui e foi no meu colo que você chorou."
Eu acordei... anotei a frase no celular para não me esquecer. E depois fiquei achando que esse sonho serviria para eu entender porque você entrou na minha vida, mesmo deixando-a um caos após sua passagem.  
Voltei a dormir tranquilamente, não tenho mais jeito para insônia. O tempo me consome demais. A vida está exigindo muitas das minhas forças. Agora tenho que dedicar cem por cento de esforço, sou eu sozinho e o meu caminho. 

8 de set de 2015

eu, quem inveja casais felizes, mesmo que eles não sejam realmente felizes e invejem a minha liberdade. 

23 de ago de 2015

Dói

o meu dente esquerdo dói, 
o ciso resolveu nascer com anos de atraso.
a cabeça dói, 
a enxaqueca ainda se manifesta. 
a tua ausência, porém, 
e o que mais me incomoda
dói, machuca, 
impede que qualquer festa aconteça. 

Memórias

Tenho uma péssima memória para fisionomias, sempre acho que conheço muita gente de algum lugar, mas nunca lembro de onde e muitas vezes nunca vi aquele rosto antes.
Tenho uma excelente memória olfativa, e o problema é que quando passa alguém com o seu perfume, imediatamente, o meu cérebro processa em segundos um filme que em milésimos de segundo me lembra exatamente boa parte do que vivemos. 

1 de ago de 2015

01/08/15

Enquanto não existir uma borracha que apague passados 
Sábados saudosistas existirão (ou tardes de terças-feiras, não importa). 
Pode ser uma foto, um cheiro, um nome que surge de repente em meio a um sonho que não recordamos instantes depois, 
mas a saudade vem e se instala e rememoramos, remoemos, recordamos...
até que a vida se mostra mais importante e nos chama pro jogo...
viver é, também, construir momentos que se tornarão saudosos. 

11 de jul de 2015

Se - conjunção subordinativa condicional

Se você vier e quiser arriscar algo comigo é bom estar preparado: Coleciono fracassos sentimentais, que não me impedem de me atirar e me arriscar sempre que o coração acelera, a barriga gela e o ar desaparece por alguém. Acostume-se a minha sinceridade. Sou egoísta/possessivo, portanto quero alguém por inteiro, sem lances sendo terminados ou outros que podem começar. Não entenda a minha facilidade em dizer adeus como um indício de que descarto facilmente meus sentimentos, pelo contrário, sofrerei meses, irei chorar, lamentar sobre isso, me desesperar ás vezes, mas a dor eu aguento, mendigar amor não!

12 de jun de 2015

dentre...

hoje não há melancolia, mas uma vontade de alegria. 
dentre as pessoas que passaram pela minha vida; 
é com você, B., que eu queria estar hoje. 
Agora! 
Você deveria saber disso, 
onde, com quem e em que fase
quer que você esteja! 



30 de mai de 2015

Te espero

B.

...nossa história é de um outro tempo. Que não nos é permitido saber o qual. A velha máxima de pessoas certas que se encontram no momento errado. Felizmente, nem eu, nem você está embarcando a semana que vem para um ilha no Pacífico, muito menos está de casamento marcado com outra pessoa. Como já disse Caio:  "O que tem de ser, tem muita força. Ninguém precisa se assustar com a distância, os afastamentos que acontecem." Oxalá que haja um reencontro no futuro, porque o carinho será guardado até lá ou até todo o sempre. Refiz vários dos meus planos, mas tem um espaço pra você em cada episódio da minha história. Eu te encontro no futuro. 

Com amor...
C. 

23 de mai de 2015

Porque eu não consigo escrever sobre você

B. 

Me faz atravessar com o sinal vermelho, 
mas permanece no mesmo lado na calçada.
Acaba com muitas das minhas tentativas de ser romântico, 
mas me deixa rendido com uma frase de cinco palavras.
Está sempre trabalhando nos sábado à noite, 
mas tem me proporcionado as melhores quartas, sextas ou domingos do ano.
É meio louco e não se preocupa com as convenções de tempo, 
mas essa sua loucura combina tanto comigo.
Fica tímido facilmente e a cara vermelha, quase roxa, entrega isso, 
mas sabe exatamente o que dizer para que eu me sinta o cara mais sortudo do mundo. 
Deveria morar mais perto, 
mas está sempre tão presente que isso virou um detalhe. 
Eu não sei porque não consigo escrever sobre você,
mas sei que não quero escrever sobre outra pessoa.  


23 de mar de 2015

Barulho

para i.


nem a maior de todas as batucadas 
abafa 
o grito do meu peito
a chamar por ti


15 de mar de 2015

Existe sempre alguma coisa ausente

Caio F.

Paris — Toda vez que chego a Paris tenho um ritual particular. Depois de dormir algumas horas, dou uma espanada no rodenirterceiromundista e vou até Notre-Dame. Acendo vela, rezo, fico olhando a catedral imensa no coração do Ocidente. Sempre penso em Joana d’Arc, heroína dos meus remotos 12 anos; no caminho de Santiago de Compostela, do qual Notre-Dame é o ponto de partida — e em minha mãe, professora de História que, entre tantas coisas mais, me ensinou essa paixão pelo mundo e pelo tempo.
Sempre acontecem coisas quando vou a Notre-Dame. Certa vez, encontrei um conhecido de Porto Alegre que não via pelo menos há 2o anos. Outra, chegando de uma temporada penosa numa Londres congelada e aterrorizada por bombas do IRA, na época da Guerra do Golfo, tropecei numa greve de fome de curdos no jardim em frente. Na mais bonita dessas vezes, eu estava tristíssimo. Há meses não havia sol, ninguém mandava notícias de lugar algum, o dinheiro estava no fim, pessoas que eu considerava amigas tinham sido cruéis e desonestas. Pior que tudo, rondava um sentimento de desorientação. Aquela liberdade e falta de laços tão totais que tornam-se horríveis, e você pode então ir tanto para Botucatu quanto para Java, Budapeste ou Maputo — nada interessa. Viajante sofre muito: é o preço que se paga por querer ver “como um danado”, feito Pessoa. Eu sentia profunda falta de alguma coisa que não sabia o que era. Sabia só que doía, doía. Sem remédio.
Enrolado num capotão da Segunda Guerra, naquela tarde em Notre-Dame rezei, acendi vela, pensei coisas do passado, da fantasia e memória, depois saí a caminhar. Parei numa vitrina cheia de obras do conde Saint-Germain, me perdi pelos bulevares da le dela Cité. Então sentei num banco do Quai de Bourbon, de costas para o Sena, acendi um cigarro e olhei para a casa em frente, no outro lado da rua. Na fachada estragada pelo tempo lia-se numa placa: “II y a toujours quelque choe d’abient qui me tourmente” (Existe sempre alguma coisa ausente que me atormenta) — frase de uma carta escrita por Camilie Claudel a Rodín, em 1886. Daquela casa, dizia a placa, Camille saíra direto para o hospício, onde permaneceu até a morte. Perdida de amor, de talento e de loucura.

Fazia frio, garoava fino sobre o Sena, daquelas garoas tão finas que mal chegam a molhar um cigarro. Copiei a frase numa agenda. E seja lá o que possa significar “ficar bem” dentro desse desconforto inseparável da condição, naquele momento justo e breve — fiquei bem. Tomei um Calvados, entrei numa galeria para ver os desenhos de Egon Schiele enquanto a frase de Camille assentava aos poucos na cabeça. Que algo sempre nos falta — o que chamamos de Deus, o que chamamos de amor, saúde, dinheiro, esperança ou paz. Sentir sede, faz parte. E atormenta.
Como a vida é tecelã imprevisível, e ponto dado aqui vez em quando só vai ser arrematado lá na frente. Três anos depois fui parar em Saint-Nazaire, cidadezinha no estuário do rio Loire, fronteira sul da Bretanha. Lá, escrevi uma novela chamada Bem longe de Marienbad, homenagem mais à canção de Barbara que ao filme de Resnais. Uma tarde saí a caminhar procurando na mente uma epígrafe para o texto. Por “acaso”, fui dar na frente de um centro cultural chamado (oh!) Camille Claudel. Lembrei da agenda antiga, fui remexer papéis. E lá estava aquela frase que eu nem lembrava mais e era, sim, a epígrafe e síntese (quem sabe epitáfio, um dia) não só daquele texto, mas de todos os outros que escrevi até hoje. E do que não escrevi, mas vivi e vivo e viverei.
Pego o metrô, vou conferir. Continua lá, a placa na fachada da casa número 1 do Quai de Bourbon, no mesmo lugar. Quando um dia você vier a Paris, procure. E se não vier, para seu próprio bem guarde este recado: alguma coisa sempre faz falta. Guarde sem dor, embora doa, e em segredo.
O Estado de S. Paulo, 3/4/1994

P.S. Caio e seus ensinamentos-epifanias.

Silêncio

com seu jeito quieto
de sorriso tímido
ele se foi 
deixando aqui o barulho de bombas nucleares
e o caos de um cataclismo íntimo. 

14 de mar de 2015

.

entre tanto afeto, tanta vontade, tantos sentimentos
você pode encontrar alguém que responda com frieza
.

8 de mar de 2015

Lance

um lance de dados
seu corpo lançado contra o meu
nossos corpos lançados no mar
um barato de lança perfume. 

meias verdades lançadas ao vento
juras de amor lançadas da sacada
meu sentimento lançado na vala
o seu corpo lançado no mundo