28 de fev de 2012

saudade...

de sentir saudade.
daquela leve, da boa e que não dói, 
é antes a vontade de desejar ter perto, 
de contar os minutos, mesmo que seja muitos, 
para voltar a sentir, tocar, sorrir


deixa eu ter saudade de você? 



26 de fev de 2012

mãos vazias



não há mais o que perder, nem por quem chorar
o coração está vazio, as mãos também
vazias e estendidas, prontas para receber

25 de fev de 2012

e eu tentava me convencer:
silencia, cala, engole,
mas certas palavras não descem
ao contrário de certos sapos que escorregam.
eu gastaria todo o meu vocabulário,
todas as línguas que ainda domino. 
mesmo sabendo que não importa o que eu diga
mas o que tu sentes. 
ou será que o problema é eu não falar alemão?

24 de fev de 2012

Colombina Barroco-brasileira

com suas lágrimas
bordou a fantasia pro carnaval
não é cristal
mas tem um brilho sem igual

16 de fev de 2012

Das lágrimas multicores de um sambista


Já ouvi que o carnaval é a obrigação de sermos felizes com data marcada. Não discordo totalmente, mas acho impossível pensar em felicidade plena, há sempre um bocado de tristeza, um aperto no coração de vez em quando, uma mistura de emoções. E claro, sambistas têm apenas motivos para se alegrar nem se esquecem de tudo porque é carnaval.
Talvez, essa alegria que suplanta a dor, ou, em contato com esta última a torna menos pesada, já estivesse presente na origem de nosso samba e das danças afro-brasileiras, pois foram estas algumas das maneiras encontradas pelos escravos, que para cá foram trazidos durante nossa colonização, para suportar a diáspora e a escravidão.
            Como bem disse Vinícius de Moraes: “pra fazer um samba com beleza é preciso um bocado de tristeza, senão não se faz um samba não”. Tomo a liberdade de parafraseá-lo: para fazer um Carnaval com beleza e emoção que arrepia a alma é preciso um bocado de tristeza, mais um tanto de luta e dose extra de superação.
            Pois, não pensem que todos os integrantes de uma escola de samba pisam na avenida guiados apenas por alegria. Há muita luta por trás daquele momento: há muitas vezes o esforço financeiro de economizar todo mês, durante o ano todo para ter dinheiro pra fantasia; há a necessidade de superar os percalços que a vida coloca na vida de todos nós, problemas familiares, profissionais, perdas materiais ou afetivas. E ainda, há aqueles que estão dia-a-dia dentro de uma escola de samba e consequentemente passam a sofrer com os problemas da própria escola: falta de dinheiro, muitas vezes a ausência de um espaço adequado para preparar o carnaval, as chuvas de janeiro que, sobretudo aqui em São Paulo, se torna um pesadelo para muitas escolas que vêm seus barracões inundados repentinamente, ou, o pior de tudo, um incêndio que em minutos pode consumir o trabalho de um ano inteiro.
            Sou um completo apaixonado por carnaval, apesar de nunca ter desfilado, são onze carnavais consecutivos, onze anos de um mágico encantamento pela Mocidade Alegre, a escola do meu coração, amor puro mesmo. No entanto, somente nos últimos sete / oito anos pude ver e conviver com maior proximidade com pessoas incríveis, das mais variadas escolas de samba, de tal comprometimento para com o seu Pavilhão, que fazem da avenida seu palco e brilham apesar de tudo indicar ao contrário.
            São esses sambistas, baianas e baluartes que me inspiram. Heróis e Heroínas anônimos. Salve povo de samba, que vence dores, derrotas e tristezas e transformam o carnaval em um momento apoteótico, catártico. Porque, é ali na avenida, quando toca a sirene e o desfile começa que os problemas se tornam menores, e mesmo entre lágrimas, um sorriso brota acompanhado do rufar dos tambores e tamborins.
            É ali na avenida, quando toca a sirene e eu sei que é a vez da Mocidade Alegre entrar que me esqueço de absolutamente tudo, me arrepio até a alma, os olhos marejam e um grito de alegria explode no primeiro acorde do samba. Porque, depois de tudo eu me sinto com as energias renovadas; ao final do desfile, aí sim o ano realmente começa, e eu me sinto pronto pra qualquer parada porque o Carnaval renova minhas energias, recarrega a bateria.
Portanto ao ver um sambista com os olhos banhados de emoção saibam que essas lágrimas são resultado de um ano inteiro de alegrias e tristezas, conquista e frustrações, e apesar de transparentes guardam tons múltiplos e matizes diversas. 

9 de fev de 2012

dos caminhos


que a minha estrada não me leve até você, mas até a metade do caminho.
que a sua estrada não te traga até mim, mas até a metade do caminho. 
Ali ficaremos frente a frente e reconheceremos os caminhos percorridos por cada um. 
pois, apesar de atalhos, emboscadas e pedras ainda percorreremos a mesma estrada. 

5 de fev de 2012

Parei de me preocupar com aquelas pessoas que de repente desaparecem da minha vida sem motivos, ou explicações aparentes. Me dei conta que toda noite eu peço: 
"Livrai-me de todo o mal..."

3 de fev de 2012

Menos palavras e mais desejos

desejos pequenos, miúdos. de andar com os pés fora do chão. de sorrisos não-forçados. dessa tal felicidade
que não se traduz em palavras, mas em suspiro, ou, em um olhar. 
melhor que um olhar: o ponto exato em que dois olhares se cruzam e se reconhecem, porque é assim que tem que ser. 
não há palavra que decifre isso.
melhor que um sorriso: um sorriso de canto de boca, meio envergonhado e mais lindo que todos os que já recebi, até hoje. 
desejo pequeno, mas profundo.
de vida.