30 de jun de 2013

a minha tábua de salvação é um punhado de papel

Era pra ser uma noite mais alegre... um dia melhor, mas há coisas que não dá pra fazer sozinho. Se estar sozinho é difícil normalmente, viver sozinho é dez vezes mais complicado!  
Todos estão muito ocupados cuidando de suas vidas ou das vidas, ou relações, que lhes são prioritárias. Eu sigo: tentando encontrar alguém que julgue ser prioridade a minha alegria, as minha neuras, os meus sonhos, a minha vida. Longe de desistir no meio do percusso, mas a cada dia desconfio que esse alguém não exista. E se existir de fato, eu corro o risco de gastar a vida buscando sem encontrá-lo. 
As noites de sábado têm me feito dar de cara com a minha própria solidão. Um estado de quase abandono, quase tristeza. Não sei ao certo...
Também não sei se existe alguma estatística, mas acho que suicídios devem acontecer mais frenquentemente nessas noites, onde quase todo mundo está feliz, ou ao menos fingem que estão, pois, sorriem, bebem, beijam, transam... sexta, sábado de qualquer fim de semana, Natal, Ano Novo, etc...
... não estou dizendo que o suicídio seja uma alternativa pra mim, mas compreendo perfeitamente aqueles que optam por isso. Porém, eu sei que não me perdoaria se o fizesse. Enfim, acho que alguma melancolia dos versos de Sylvia Plath se entranhou me mim nos últimos dias. Mas, isso não é de todo ruim.
A literatura é a minha tábua de salvação... páginas escritas desde a antiguidade ou até mesmo no ano passado têm me feito companhia durante essas noites nem um pouco animadas... ao meu lado na cama só tem amanhecido algum livro aberto com o qual eu adormeci quando a insônia foi vencida pelo cansaço. 
Páginas em branco têm feito com que eu despeje nelas a minha solidão, a minha dor, frustrações e teimosas esperanças. 
Eu entendo porque há tanta gente escrevendo...  não dá pra sofrer e ainda engolir tudo... não é digerível; precisamos vomitar tudo em palavras: dizer, gritar, fazer-ver a nossa dor... quem sabe não nos lançam algum olhar... por isso que eu leio, reconhecendo em cada linha angústias que também são minhas...

  

22 de jun de 2013

strange dream - parte.2

você de novo. entrelaça seus dedos aos meus. ajeita/afaga o meu cabelo. me arranca sorrisos. mas, antes que pudesse tocar seus lábios, acordo. você se torna uma promessa a se cumprir e o sono demora a voltar...


17 de jun de 2013

strange dream

(para você que ainda não veio)

tenho sonhado com rostos desconhecidos, que não me lembro de tê-los vistos antes, nem sei como o meu inconsciente pôde gerar aquelas fisionomias. quando acordo fico pensando que pode ser o seu rosto, assim no momento que você aparecer, seja aonde for, te reconhecerei...

16 de jun de 2013

só - parte.II

a cadeira ao meu lado continua vazia enquanto não há companhia coloco: mochila, cachecol, garrafa d'água para ocupar espaço e me sentir menos só. 

enquanto esperava minha vez, olhava em volta, e via casais, pequenos grupinhos, alguns familiares. eu estava só, não era o único, mas isso me doeu. enfim, pode ter sido em decorrência do horário inviável para muita gente, (mas também pode ser que não!?). eu precisava me concentrar, mas não conseguia parar de pensar que eu gostaria de ter alguém ali, só para me desejar "boa sorte!" quando chegasse minha vez. não tinha. os votos de "sucesso", "boa sorte" etc... vieram antes via internet, ou na caixa de mensagens do celular; o último deles veio de uma cidade a mais de 3 mil quilômetros distante dali. eu sorri comigo mesmo, querendo chorar na verdade. e no fim, só me restou enfrentar tudo sozinho mesmo: cabeça erguida, um esforço tremendo para demonstrar tranquilidade, mas sagrando por dentro. a todo instante eu pensava: "você não está sozinho", mesmo que olhando em volta eu pudesse argumentar ao contrário. lembrei da música da Bethânia  dos rostos, sorrisos e amparos encontrados até aquele momento e segui adiante, querendo fugir de tudo aquilo. até poder virar as costas e voltar pra casa sozinho...


5 de jun de 2013

enquanto espero

eu morro um pouco a cada dia
de raiva
de inveja
de tédio
de cansaço
de tristeza
de surpresa
de alegria
de ciúme
eu quero encontrar alguém que morra de amores por mim
...




2 de jun de 2013

Como não existe coincidências, essa música não poderia aparecer na minha vida em momento mais oportuno!


Eu apenas queria que você soubesse
Gonzaguinha 

Eu apenas queria que você soubesse 
Que aquela alegria ainda está comigo 
E que a minha ternura não ficou na estrada 
Não ficou no tempo presa na poeira 

Eu apenas queria que você soubesse 
Que esta menina hoje é uma mulher 
E que esta mulher é uma menina 
Que colheu seu fruto flor do seu carinho 

Eu apenas queria dizer a todo mundo que me gosta 
Que hoje eu me gosto muito mais 
Porque me entendo muito mais também 

E que a atitude de recomeçar é todo dia toda hora 
É se respeitar na sua força e fé 
E se olhar bem fundo até o dedão do pé 

Eu apenas queria que você soubesse 
Que essa criança brinca nesta roda 
E não teme o corte das novas feridas 
Pois tem a saúde que aprendeu com a vida...



de agora em diante? não sei!

Quando eu coloquei o ponto final, fechei a porta, disse: muito obrigado, adeus, a incerteza quanto ao futuro se refletiu em sensações físicas. Mãos geladas, coração disparado e um medo tão grande de como seria dali pra frente. Não é apenas o primeiro passo que provoca esse pânico essa incerteza, o último também. E até mais que o primeiro, afinal no primeiro ainda havia um caminho inteiro para seguir, o único problema seria se eu não conseguisse chegar até o seu final. Já no último a tensão é pior: e se eu não tiver foça, coragem ou oportunidade de recomeçar. Foi assim, quando eu terminei o ensino médio, quando eu virei às costas sabendo que não o veria mais, quando eu ouvi o primeiro adeus. Está sendo assim agora, quando um grande ciclo se fecha as minhas costas. E eu não tenho nenhuma certeza do que virá pela frente, pois nem sei qual caminho percorrer. Há um futuro em branco vindo em minha direção e até o momento de iniciar novas histórias, fica essa falta de certeza: como será daqui pra frente?