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22 de jul. de 2019

Ilha

o barulho das águas provocam 
o mais profundo silêncio em mim
as águas ensinam a envolver 
a embalar, arrebatam,
mas também ensinam a deixar livre,
partir quem já não quer ficar, 
regressar a outro porto, 
perder-se na imensidão sem fim. 
meu desejo ilha, precisa saber 
a ser mais água 
e menos terra segura que deseja reter.
a lição é transmitida, mas tão dura de aprender
transbordam em exuberância quem com 
as águas aprendeu ser. 


7 de nov. de 2017

para A. 

entre todos os encontros possíveis, este era mais que inesperado, indesejado talvez... a distância, o passado, o presente, e os outros. eu de cá você daí... a ponte foi feita, mesmo que não tenhamos movido um tijolo para isso. trouxeste verdade, passado, assombro. a vontade de fugir, uma teimosia em ficar... seus olhos doces, o sorriso meigo, a pele que me retem como um imã. há tanto medo e tanta vontade, tanta cumplicidade e alguns arrepios frios na barriga. tua mão fria eu aqueço, desejando segurá-la por muito tempo... teus traços me fazem sonhar, mas os pés estão no chão para não nos perdemos um do outro, pelo ar... 

22 de mai. de 2017

awake

para A. 

O sonho tem se prolongado... é tudo muito novo, muito intenso muito leve para que eu estivesse acostumado. Não estou acostumado, mas, por outro lado, estou adorando. 
Andar sob a chuva num domingo à tarde foi, com certeza, o melhor programa dos últimos meses, a sua mão segurava o meu braço direito e os nossos pés saltavam as poças, pisando em nuvens. 
Você sorri um sorriso pequeno, lindo, radiante e apaga todos os transtornos dos últimos dois anos. Você quer saber de mim, o que fiz, o que acho, o que vamos fazer e, por alguns segundos, eu fico incrédulo: isto é real!? E vou me desnudando com um sorriso bobo no rosto. 
Você derreteu um paredão de gelo com o calor do seu abraço, me fez viver um doce sonho ao adormecer no meu colo, você reacende as minhas esperanças a cada amanhecer, a cada novo dia, a cada palavra tirada de minha idealizações mais profundas que brinca de sair pela sua boca... 

23 de mar. de 2017

18 de mar. de 2017

tenho esperado o seu corpo jogado no colchão, a perna esticada ocupando o meu espaço e o silêncio das madrugadas desfeito pela sua respiração. o teu perfume no travesseiro, o sorriso interesseiro querendo sorvete na cama, querendo a camiseta emprestada, querendo mais cinco minutos do meu corpo sobre o seu. 
contínuo esperando que você chegue para ser presença, companhia e necessidade. para que enrosque o pé no meu e me atrapalhe na leitura dos textos da semana, para que peça que eu leia para ti, ou que pare de falar em Pessoa, Carvalho, Nazarian. Você apenas ouvirá os textos que trago decorados que sussurrarei em seus ouvidos, para depois guardar meus livros e me entregar um dos controles do vídeo-game. 
ainda espero esbarrar contigo na esquina da padaria, dentro do ônibus ou saindo do dentista. sei que você anda por aí, fazendo os mesmos planos para um vida bem normal, mas, assim como eu, ainda não te permitiram a normalidade. 
espero que no próximo inverno, meu abraço não permaneça vazio, que minha cama não fique quente apenas por algumas horas e que as próximas viagens tenham companhia ou um enorme motivo para durarem sempre menos. 
eu estou pronto. 2 anos arrumando o meus caos interior para não te assustar. eu estou preparado para reconhecer-te e não te deixar escapar.... já pode, como se soubesse que este é o melhor momento, surgir, porque eu sei que andas a me procurar! 

12 de mar. de 2017

coração vazio

Há dias em que não é possível ignorar a ausência de alguém ao nosso lado. A cama vazia, o celular que não toca, aliás, toca várias vezes, mas é só mais alguém, não é aquela mensagem ou um convite para ir à padaria DAQUELA pessoa. APESSOA! 
Não falo de solidão, às vezes estamos rodeados de pessoas, até temos com quem trocar beijos, ou transar e tudo mais, no entanto para nisso. É raso, superficial e não satisfaz. Coração vazio, sabe? Falta alguém para preenchê-lo e, também, encher nossa vida de alegria e preocupação. Falta cumplicidade, colo, abraço e a certeza que amanhã a pessoa ainda permanecerá em nossas vidas. 
São nesses momentos que esquecemos todos os sofrimentos que passamos nas paixões anteriores e mesmo inconscientemente, começamos a buscar um nova paixão, sem nos preocupar com os problemas e as dores que se seguirão. 
Porque somos assim, precisamos do frio da barriga, da perna bamba e do sorriso bobo. Aliás, todo mundo fica bobo na melhor parte da história e isso fode tudo... mas é justamente dessa parte que sentimos falta em domingos ensolarados nos quais você não tem ninguém para ir dar uma volta no parque, ou deitar na sua cabeça e ganhar cafuné! 


17 de jan. de 2017

17

Que não nos falte esperança para acreditar 
que a dor também passará. 
Que não nos falte coragem para virar 
as costas e ligar o foda-se e seguir adiante. 
Que não nos falte vontade de agarrar 
o mundo, nossos sonhos, o amor de nossas vidas. 
Que não nos falte a oportunidade de recomeçar
cair, chorar e levantar. 
Que não nos falte lágrimas para derramar 
pois o choro ele contém uma imensidão de coisas não ditas. 
Que não nos falte amigos para mostrar 
que lealdade ainda existe. 
Que não nos falte sabedoria para pensar
reconhecer o erro e antes de tudo nos perdoar. 
Que não nos falte altivez para caminhar 
de peito aberto, cabeça erguida e sorriso estampado
na cara amassada que combina com o cabelo despenteado.
Que não nos falte tempo... 

26 de nov. de 2016

...nossa história teria um final diferente
se você não fosse igual aos demais...

9 de out. de 2016

I'm blue

Coleciono fracassos sentimentais 
que decoram uma estante de tristezas 
sempre lustrados, quando eu estou só 
Quando estou blue 
quando eu estou nu de esperanças
e os sonhos atormentam mais
que uma topada do dedão do pé na quina da porta. 

24 de set. de 2016

o mal que não quero

Quando vejo uma nova foto tua
na minha timeline 
meu coração ainda dispara, 
a respiração falha
eu tento me lembrar
não o que não vivemos 
mas o frase que você repetia: 
eu não sou tão bonzinho...
e eu não quero ver 
o seu lado mal moço 
uma segunda vez

15 de jul. de 2016

Sobrevivendo ao caos

(sobre W., novamente) 

A minha vida está um caos... desses que só existem quando um furacão de grandes proporções, rapidamente, bagunça suas certezas, abala sua estrutura e vai embora, como surgiu, do nada. O furacão, chamado paixão, chegou numa noite fria de maio, acabou com todas as novas convicções, com todos os cálculos, com todos os mantras que eu vinha repetindo por um ano: "não se apegar logo de cara", "não jogar nas suas costas todos os meus anseios", "não sufocá-lo", "ir com calma". Esqueci de tudo. 
Talvez eu não esteja preparado para lidar com essa coisa de paixão correspondida; então, meto os pés pelas mãos, faço o que não devia fazer, falo demais, ajo de menos... E, ele deveria achar graça em tudo isso. Mas não foi o caso. 
O furacão foi embora deixando um silêncio enlouquecedor nas bandas de cá. A minha vida parou. Está em acúmulo de atrasos. Prazos que não cumpro, férias que não aproveito, noites que não durmo, desejos que não os tenho mais. 
Tudo isso só é quebrado por lembranças melancólicas do sabor do seu beijo, uma mistura de café com cigarro, ou pelas lembranças das sobrancelhas franzidas e a piscadinha do olho esquerdo. Inesquecíveis. Isso me dói e me alivia ao mesmo tempo. 
Há quase um mês não vejo o motivo de tanta alegria e tantas outras coisas. O meu corpo resolveu me sabotar: desânimo, preguiça, moleza e aquela dorzinha do lado esquerda da cabeça, chamada preocupação. 
Se um raio não caí duas vezes no mesmo lugar, um furação não deve passar pelo mesmo lugar duas vezes seguidas, mas eu adoraria uma segunda chance pra ver tudo lançado de pernas para o ar. 




12 de jun. de 2016

da falta

A vida se apresenta como um constante rodízio entre satisfação, anseios, insatisfações. O copo parece estar sempre meio vazio ou sempre meio cheio; isso vai depender de quem o observa. O fato é que buscar estar sempre cheio, ou sempre satisfeito, é o mais curto caminho para uma vida de sofrimento, angústias e frustrações. 
A falta é importante, o desejo, a saudade, a solidão, em doses parcimoniosas, empurram-nos para a frente, despertam a ânsia pela conquista. Estamos sempre correndo atrás da metade que falta, o que não garante que ela será alcançada. E não há problemas em ostentarmos nossas metades faltantes por aí. Nem tudo tem que se mostrar perfeito agora. 
Hoje faltou um palavra, ela completaria meu copo, minha vida. Mas não veio palavra, nem sorriso, porque ainda falta quem a possa dizer. Falta. E isso, não é assim o maior dos problemas. 

bonsoir. 

15 de mai. de 2016

5 de mar. de 2016

1 de jan. de 2016

hoje

a vida é agora 
e corre pelos nossos pés como a água
beira-mar 
haja fôlego para acompanhá-la
há sim mansidão 
e maremoto
sol e chuva
quente e frio
não adianta desejar apenas uma coisa
é um turbilhão que vem
fica
e passa
quem dera não findasse
mas se esgota...
então corra, abra os braços e abrace 
a vida 
hoje 

Feliz 2016! 

23 de ago. de 2015

Memórias

Tenho uma péssima memória para fisionomias, sempre acho que conheço muita gente de algum lugar, mas nunca lembro de onde e muitas vezes nunca vi aquele rosto antes.
Tenho uma excelente memória olfativa, e o problema é que quando passa alguém com o seu perfume, imediatamente, o meu cérebro processa em segundos um filme que em milésimos de segundo me lembra exatamente boa parte do que vivemos.