31 de mar de 2014

meu aliado


                               O tempo é sagrado

                                 O tempo 
                                 é sagrado

                                 O tempo 
                                 é templo


Adília Lopes

27 de mar de 2014

psiu...

Você pergunta: tudo bem?
Eu respondo: Estou bem e você?
Você responde: Tô bem, também. 

Eu menti pra você. Tenho feito isso às vezes, sobretudo, quando me perguntam "tá tudo bem?". Não. Não está nada bem. Era essa a vontade que tive, te dizer a verdade: que tudo está péssimo; que você acabou com a minha tranquilidade, destruiu meu equilibro. Queria te contar que passei o sábado e o domingo jogado na cama pensando em você. E, que ainda não consegui ler o livro que você me deu no natal passado, pois toda vez que pego nele lembro de você, de nós na fila do ônibus e minha vista fica embaçada de lágrimas. Queria te contar que me sinto um idiota, há mais de 60 dias não te encontro, mas quando eu fecho os olhos é o seu rosto que eu vejo. Que me envergonho, também, por desejar que você de repente perceba que eu sou melhor que o seu namorado, e volte atrás e me peça perdão, e peça pra voltarmos. Eu tento me convencer que não te quero mais, mas meu coração não quer obedecer; e apesar de você ter sido o maior de todos os filhas-da-puta-mentirosos eu ainda te quero. Preciso achar um outro cinema para ir, porque desde que você desistiu de nós nunca mais tive coragem de voltar aos cinemas da Augusta, eu lembraria de você a cada segundo. Besteira. eu ainda lembro de você todos os dias, mesmo no escuro. Eu ainda queria te contar que de um mês pra cá as coisas começaram a melhorar, mas não vejo motivos para comemorar, porque tudo o que está acontecendo eu esperava comemorar com você, afinal, no começo de algumas e no meio de outras foi pra você que contei o que eu esperava alcançar e contigo dividi as irritações e frustrações de boa parte delas... 
Enfim, eu tenho omitido muitas coisas. E se me perguntar, mesmo que esteja prestes a enlouquecer de tanta saudade-raiva-amor, direi que estou bem! 


Foto by: Jordan Tiberio
(Conheçam a história da foto aqui

P.S. C. para B!

22 de mar de 2014

b.
eu não sei porque
ainda sinto tanta saudade de você
seria mais fácil se eu te apagasse da memória
borrasse as linhas que preencheste com o teu sorriso
porém a tua ausência é cicatriz
que o tempo ainda não apagou

18 de mar de 2014

w.  

sonhei com você. acordei assustado, respiração ofegante, coração apertado. espero que seja apenas saudade. passei o dia com o pensamento em você, não que já tenha lhe esquecido, acho que ainda me lembraria de cada parte do seu corpo. das datas. dos lugares. das paredes que testemunharam as horas que dividimos. sonhei com você e não foi um sonho bom. me angustia a ideia de que vire um fantasma. você jamais tomou qualquer atitude para ocupar este lugar na minha história. me angustia te ver esmaecendo ainda que em sonho. prefiro as suas cores que discretamente iluminam ao redor...

12 de mar de 2014

Pelas letras de Clara

Clara é dessas autoras do tipo maga, que decifram o que você sente e não sabe definir em palavras... Desde a primeira linha, o que já faz algum tempo, eu me reconheci em suas entrelinhas doídas, verborrágicas e emocionais ... Ai, ela melhor do que ninguém já havia transcrito o que eu quis dizer, escrever, ordenar em letras garrafais: 



"Eu disse que aguentaria qualquer coisa, mas não contava com o silêncio. Não sabia onde ele estava e não queria, não podia telefonar. Queria ser seu refúgio, e a gente procura os refúgios quando quer fugir do mundo. Ele sabia onde me encontrar. Esperei. Com o coração apertado de novo, pressão na cabeça e uma puta dor na alma." 



Clara Averbuck, In: Vida de Gato, p. 27

11 de mar de 2014

O Fim

Há coisas inevitáveis. Outras passamos por burrice. Outras porque nem todo mundo que cruza nosso caminho sabe o significado das palavras sinceridade, lealdade, verdade. Eu evitei até onde pude sentar diante do computador para escrever sobre o fim, mas como diz uma amiga: é preciso sublimar.
Escrever também sempre foi um ato de vingança, de colocar pra fora minha revolta, minha tristeza. Vomito em palavras o que ainda ficou entalado no meio da garganta. No caso minha decepção. Eu não picharei seu muro, não escrevei cartas anônimas, nem mensagens inconvenientes no Facebook. Não faz o meu estilo, eu digo na cara, viro a mesa, mando ir para a puta-que-o-pariu sem pensar duas vezes. Mas quando eu digo "eu gosto de você", é porque eu realmente gosto de você. Em breve esse verbo estará no pretérito perfeito, não duvide disso.
Tudo tem começo-meio-fim, o fim na grande maioria das vezes é a pior parte. No entanto, mesmo assim há maneiras dignas de dizer adeus, tô indo, não dá mais, não é você que eu quero na minha vida. Nenhuma dessas frases é fácil de se ouvir, mas primeiro dói, depois a gente entuba a dor, ergue a cabeça e segue em frente. Mas, meias-palavras, coisa escondida, desculpas insólitas, sinto informar: não ajudam em nada, ainda que a "boa intenção" seja não magoar ninguém. Tá, e o inferno como anda?! Tudo isso caí por terra e a gente sofre, e a dor acaba virando ódio, e o ódio acaba virando mágoa, e o começo e o meio da história que foi lindo a gente se esforça pra esquecer. Afinal, o fim foi nojento. 
Eu não sou fácil eu sei disso, como já disse a Fernanda Young, "nada é simples. Nada é pouco quando o mundo é o meu". Mas nunca obriguei ninguém a ficar do meu lado. Nem pedi para ser poupado das verdades da vida. Aliás, sempre admirei gente honesta, que diz o que quer, pensa, sente... doa a quem doer. Se ficar sozinho é o preço a pagar para ser como eu sou, eu banco. Alto de mais seria ter que fingir uma coisa que eu não sou, para ter você ou quem quer que fosse ao meu lado.  
Não podemos controlar o mundo. Nem as pessoas. Então da próxima vez, que não será comigo, má-nem-fodendo!, não arme um mundo lindo onde todos saem felizes e contentes, enquanto um trocha acredita numa mentira, porque quando a verdade aparecer, o trocha sofrerá muito mais. 
Para finalizar, no fim o que resta são os livros, as músicas e as lembranças que de algumas pessoas são recordações, de outras são fantasmas que nos assombram. E quando mais conheço os seres humanos, mais admiro os gatos, as cobras e as corujas...    

Fim!

6 de mar de 2014

Silêncio

Silêncios são também uma resposta. E feliz ou infelizmente dizem muita coisa. 


Fragmento de um diálogo carnavalesco

- Vai pro carnaval esse ano, né?
- Vou...
- Eba, eu também. 
- Iupi.... 
- O que foi, não tá animado? Se anima ai...
- Tô pelo menos há esperanças de algumas horas de alegria
- Algumas só? 
- É, algumas já tá bom demais. 
(...)
- Não entendo o desânimo...
(...)
- Eu queria mesmo um amor de carnaval, mesmo que acabasse na quarta de cinzas, melhor no desfile das campeãs...
- Quem sabe? Vai que arrume um amor de carnaval que dure até depois do desfile das campeãs. Seria histórico.
- Não, seria milagre mesmo.