20 de out de 2012

não deveria ser adeus (se, essas desgraças chamados vizinhos não fossem assassinos)



de uma hora pra outra a casa ficou imensa, vazia, deserta. é ironicamente doloroso pensar que você com seu pequenino corpo negro preenchia tudo, estava em cada canto, marcou cada canto, com alegria e carinho. quando você chegou era tão pequenina cabia na palma de uma única mão, e de mansinho com delicadeza e jeitinho foi conquistando tudo e virou o centro das atenções. mas agora você se foi o vazio é imenso a dor também. dói acordar e não ter você perdida no meio da coberta ou escondida embaixo da mesa. dói não te ter por perto, para cima e pra baixo e na hora de assistir TV. é insuportável os tapetes todos no lugar, não ter bolas brinquedos e sacolas de supermercado espalhadas pela casa, nem você tentando se esconder em bolsas e guarda-roupas.  ou ainda, nas suas poses mais blasés ou de criança brincalhona. é angustiante pensar que você não estará mais aqui pra se sentar bem na frente da tela do computador ou pra roer os livros do Dickens ou da J. Butler. menina, curica, amendoim, coração. você era mais especial por não ser gente. esse tipo que se diz humano, mas é capaz das piores baixarias, tanto quanto envenenar um ser inocente e indefeso. um bebê-meio-anjo e com quatro patas. seus olhinhos estralados iluminaram essa casa como há muito não era possível. você sabia que podia tudo e mesmo assim nunca abusou disso, nunca foi além da conta. eu acredito que no céu haja bibliotecas, e livros e que a gente possa ler, como disse Adília. e também acredito que haja animais e sei que você está lá nesse instante. ah, como tudo poderia ser diferente e você estaria brincando ou dormindo agora aqui na cama ao lado. mas ao invés de vizinhos eu tenho um bando de filhos-da-puta, Covarde Assassinos que não conhecem e nem conhecerão o Amor ou um sentimento Verdadeiro.



Graxinha, pra sempre “a coisa mais linda da casa”.


Com lágrimas nos olhos e tentando achar forças pra sorrir aquele sorriso que você arrancava com a maior facilidade!

3 comentários:

  1. Oi Carlos, sinto muito pelo gatinho. Sei como é revoltante isso, essa covardia, crueldade de algumas pessoas. Mas tudo na vida tem volta, amanhã esses bárbaros estarão colhendo o que plantaram.
    Fica bem menino.
    Um bjo e um abraço apertado

    ResponderExcluir
  2. Perder um animal de estimação é uma sensação além da descrição. Nunca irei esquecer minha querida cachorra, foi o mesmo sentimento, o mesmo vazio. Estranhei quando ninguém mais me acordava para abrir a varanda do meu quarto, estranhei quando não preciva mais deixar a porta do meu quarto semi-aberta quando ia dormir, estranhei não ter mais cobertores espalhados pela casa e tantas outras coisas do cotidiano.
    Grande força! E deixe estes monstros, verdadeiros animais, para lá. Pense apenas no quanto foi feliz enquanto durou.
    Abraço!

    ResponderExcluir
  3. Oi Carlos, que triste, mas que lindas palavras.
    Não foi a primeira vez que alguém relatou uma crueldade dessa, infelizmente, não será a última.

    Pode ter certeza, que ela "era mais especial por não ser gente".
    Bjos, força ai!

    ResponderExcluir