25 de jan de 2010

Uma grata surpresa


No fim do último ano, uma grata surpresa caiu em minhas mãos: “O filho da mãe”, livro de Bernardo Carvalho que fora lançado em março (daquele mesmo ano) pela Companhia das Letras.

Tudo começou quando resolvi participar de um grupo de estudo sobre literatura de viagem. Em meio a uma lista de títulos e autores (como Cortazar, João Gilberto Noll, Mário de Andrade e Luiz Ruffato, entre outros) que abordavam a temática da viagem como plano de fundo ou como um dos objetos importantes da narrativa, resolvi escolher, o livro do Bernardo Carvalho, um autor que confesso acreditava não conhecer até então, talvez a única coisa que tenha influenciado na minha escolha tenha sido uma certa estranheza com o título, que cheguei a achar engraçado. Estanho, mas engraçado.

Pois bem, depois de escolhido fui pesquisar tanto a respeito do livro, quanto do autor. Aí já teve início o processo de encantamento, achei extremamente original a história, e senti uma imensa vontade de ler; e pesquisando sobre o autor descobri que ele não me era tão estranho, quanto pensava, já havia lido alguns textos dele, inclusive era dele um conto que li e adorei: Estão apenas ensaiando, que, aliás, recomendo.

Fui lá, comprei o livro, mas não tinha tempo de lê-lo, fui obrigado a adiar por três semanas a tão esperada leitura, até que em um sábado pela manhã enfim comecei a lê-lo. Logo ao término dos primeiros capítulos já estava totalmente tomado pela narrativa e na ânsia de descobrir o que viria pela frente. A inconstância de tempo e lugar, a narrativa que não obedece a uma cronologia fixa, ou o jogo de pistas que são lançadas e as surpresas que vamos temos ao longo do livro, fazem com que fiquemos presos a ele tentando descobrir o que irá acontecer.

Apesar de fascinante o livro em nenhum momento é leve ou bonito, o que poderíamos suspeitar, já que a história é ambientada na cidade russa de São Petersburgo. Encontramos sim, assuntos fortes e difíceis de serem abordados, como a relação entre mães e filhos, a delicada ligação destes com a guerra, um conturbado romance homossexual e a aversão de skinheads a gays e estrangeiros, mas, sobretudo, O filho da mãe é uma narrativa sobre a degradação; degradação das famílias, da cidade, do exército e, sobretudo das pessoas. Porém não se engane a brilhante construção de Bernardo Carvalho faz com que você se envolva e em muitos momentos se pegue torcendo por alguns personagens e odiando profundamente a outros.

E o resultado deste magnífico livro, um dos, senão o melhor do ano que passou, foi que aquele sábado foi totalmente dedicado a ele, e por volta da uma da manhã eu estava chegando ao fim, pois iniciada a leitura não consegui parar mais. Por fim a única coisa que posso dizer é:

- LEIAM!


Veja aqui o autor falando um pouco mais sobre o livro.


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