12 de out de 2010

Do sonho que poderia (e poderá) se tornar real.

Ao som de Simples Carinho - Angela Ro Ro

Fazia frio em São Paulo, a noite era cinza, silenciosa e vazia. Eu seguia o meu caminho só. Coração tranquilo e o espírito leve. Entre camadas de cobertas pesadas para espantar o frio, dormi tentando não pensar em nada e até agradecendo por mais um dia em que cumpri o meu papel e segui em frente. Assumindo os erros, acreditando no que está por vir, e no que pode haver ao virarmos a próxima esquina.

Mas no meio da noite, viestes me tirar o sossego, eu me lembro bem, como se fosse real, o coração disparou, a respiração era difícil e eu tinha que me concentrar em inspirar e expirar. E apesar de fazer isso há mais de vinte e poucos anos, precisava ficar atento para não me esquecer de inspirar e expirar.

E eras tão real, era sonho eu sabia desde o início. Pois naquela noite estavas a uns oitenta quilômetros de distância. Mas foi possível sentir o seu cheiro, o seu coração que pulsava, e ver seus olhos fixos no meu e com isso todas as palavras eram supérfluas. Imagine isso, eu não precisando de palavras nem a serem ditas nem ouvidas. Bastava o teu olhar, ele me dizia tudo.

E ao contrário do que aconteceu na vida real, quando simplesmente tu ias, e já me viravas as costas, eu te segui, eu te segurei pelo braço, eu fiz tudo o que a insegurança, o orgulho, e a timidez me impediram de fazer quando eu soube que irias. Eu disse “fica, fica comigo, se quiser é claro!?” e foi daquele jeito torto, meio destrambelhado que você sempre despertou em mim, e eu deixei o caminho livre para que escolhesses. E antes de me dizeres qualquer coisa, sorristes com um sorriso maior e mais belo que todos os outros que já recebi. Eu sorri também. E sorrimos muito tempo. E ainda sorrindo disse: “pode ser!” E eu sabia o que isso significava, aliás acho que só eu. “Que bom que você disse isso agora.” E voltates a sorrir. E esse sorriso ficou sendo projetado pelo resto da noite, como uma tela de cinema que passa a mesma cena initerruptamente.

E quando acordei. Acordei sorrindo porque sonhei com você. E só por isso, sabia que o dia seria o melhor dos últimos tempos. E lembrei da música da Angela Ro Ro. Tinha um céu azul e o sol brilhando na janela. E por um instante acreditei que o sol voltara a aparecer só porque eu sonhei com você. E agora torço e espero. Por ti, e pelo desafio de fazer o sonho ser real. Tão real quanto o teu sorriso, foi naquela noite.

2 comentários:

  1. Já tive sonhos como esses...
    E, RoRo tudo de bom!
    Bj*

    ResponderExcluir
  2. Nem dá vontade de acordar!
    Lindo sonho... Lindo texto...
    A trilha sonora super perfeta!

    ResponderExcluir