4 de jun de 2010

Entre caminhos incertos.



Sinto-me como se estivesse em uma corda bamba, o corpo já não obedece mais, o coração está disparado, o boca seca, e a única coisa que sinto é o vento frio que bate contra meu rosto. É como se esta corda estivesse em um precipício, não há escolhas, ou retorno a segurança do ponto de partida, ou sigo diante sabendo de todos os ricos que o outro lado ainda desconhecido me reserva.

Não há atalhos, não há como esperar ou adiar para depois, para quando tudo parecer mais conveniente, o meu alvo está ali, bem a minha frente, o que me afasta é o medo de me arriscar, o medo do novo e também de saber que ao enfim chegar lá, poço encontrar tanto uma mão me acolha, bem como essa mesma mão pode dar o impulso final, para que eu despenque, encontrando o que há depois do fim, depois do conhecido, além da dor.

Este alvo, parece estar tão próximo, parece que assim como eu ambiciona-me, é além de tudo belo, há duas escolhas, entre as duas, uma é mover a perna e dar um passo adiante, a outra recuar, dando um passo para atrás.

Minto há ainda uma terceira opção, ficar equilibrando-me sem avançar ou recuar, fingir que não estou ali e ainda que aquela é uma situação se não confortável, ao menos possível; porém torna-se inevitável, e não necessito de muito tempo para perceber que esta não é uma situação nem mesmo possível. Nenhum equilíbrio é duradouro, nenhuma vida acontece na inércia e nada se conquista tentando-se permanecer sem tomar decisões, inerte, livre do peso das decisões. Avançar ou recuar os caminhos bifurcam-se na minha frente, resta-me apenas escolher qual seguir.

Daí me senhor, a imprudência dos rebeldes, a coragem dos decididos e a magnifica loucura dos insanos. Que tenha a coragem de avançar por esta maldita linha dos caminhos incertos, e ainda que ao vim dela encontre a mão amiga que me acolherá na chegada. Mas se infelizmente este for um caminho ao qual não valha a pena percorre-lo e ao seu final, eu encontre simplesmente ausência daquilo que me sustentava, e despenque em um abismo, que eu ao menos tenha a capacidade de assim como Clarice, dizer: “-e daí? Eu adoro voar!” e saiba depois de tudo, levantar-me.


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