26 de nov. de 2013

Cuidado!

Ao subir as escadas
você pode esbarrar
sem querer
querendo
no homem da sua vida
E
cair
entontecid@
de paixão à
primeira
vista. 

20 de nov. de 2013

sobre tudo, ou para Adília Lopes

Adília deveria
ter escrito:
que diplomas, 
fama, 
empregos e
elogios,
livros e teses
vão por
água abaixo
mas que amores 
me aconteçam

sempre andei atrasado

...carrego minha culpa junto as minhas tralhas, trecos, restos de fantasias, cartões postais, recortes de poesia, fotografias de tanta gente e tanto lugar... sei que adiei, transferi, não respondi. Mas não esqueço que estava inteiro, meu desejo era maior que minhas possibilidade de chegar, de ficar, de não largar mais... mesmo que sempre atrasado, eu tentei!  

10 de nov. de 2013

outro poema de Ricardo Domeneck

É compreensível e até agradeço
pois um ADEUS longo
demais, que porventura dure 
mais que um segundo, acaba
arrastando-se pela vida toda, 
melhor seria não chegar
sequer à segunda vogal,
mas que você desaparecesse
com aquela consoante
linguodental, sim, aquele d, 
já que minha língua 
de agora em diante
há-de tocar somente
meus próprios dentes. 


Ricardo Domeneck

10 de novembro de 2013

w.



hoje eu desejei um abraço teu
que durasse a eternidade
eu aceitaria o convite para
nos mudarmos para marte amanhã
às 3H da tarde
caso você o fizesse
nesse instante
eu seria um homem feliz
se você não tivesse se despedido 
virado as costas
partido

o tempo pode ser o melhor dos remédios
mas ironicamente também é a pior crueldade

*

nunca tente contornar o tempo

*

Não basta explicar aos meus alunos a diferença
entre presente e passado, 
preciso esquecer a ilusão de recuperar o tempo perdido. 

*

Não há volta!

22 de out. de 2013

17 meses

w.

Todas as dúvidas tornaram-se pó
sombra
nada
como o brilho de um olhar (já conhecido)
o seu

3 de out. de 2013

Eu te espero calado! 

Você vai me destruir - Vanessa da Mata 
Está acabando o amor
Você ainda não veio
Não disse, não ligou
Se vem viver comigo
Se me quer como amiga
Se não quer mais me ver
Você vai me esquecer
Você vai me fazer padecer
Está acabando o amor
Você já não me pertence
Eu vejo por aí
Você não está comigo
Nessa nossa disputa
Nesse seu jeito bom
Eu não quero saber
Você vai desdenhar
E vai sofrer
Você vai me destruir
Como uma faca cortando as etapas
Furando ao redor
Me indignando, me enchendo de tédio
Roubando o meu ar
Me deixa só e depois não consegue
Não me satisfaz
Está acabando o amor
Você já não me pertence
Eu sinto por aí
Você não está comigo
Nessa nossa disputa
Nesse seu jeito bom
Eu não quero saber
Você vai desdenhar
E vai perder
Você vai me destruir
Como uma faca cortando as etapas
Furando ao redor
Me indignando, me enchendo de tédio
Roubando o meu ar
Me deixa só e depois não consegue
Não me satisfaz
Pensando em te matar de amor ou de dor eu te espero calada


29 de set. de 2013

Maktub



Não importa as voltas que dei, acabei chegando ao precipício, porque eu precisa que me lançar e esquecer tudo. Não adiantou nenhum dos planos feitos e refeitos, porque eu não tinha que concretiza-los. Não fez sentido os sonhos que sonhei insone ou acordado, porque meus sonhos não se tornam realidade. Os pesadelos sim.
Se para Caio F. "o que tem de ser, tem muita força", no meu caso o que Não tem de ser tem muito mais. E isto vai além de ser do contra. 98% de tudo que o que esperei, planejei, desejei acabou gerando resultados completamente opostos daqueles que eu esperava. Para o bem e para o mal, isso gerou surpresas, descobertas, mas também muita frustração, decepção, raiva, dor.
Eu não posso sequer planejar um único final de semana, ansiá-lo durante dois meses e meio, porque a poucas horas dele chegar a vida resolve brincar de traiçoeira e tudo vai por água abaixo em meio a lágrimas, dor e medo. Se a natureza é madrasta, o destino tem sido cruel, insuportável e injusto. 
Maktub diriam os árabes, estava escrito. De certo estava escrito: que eu não desfrutaria daqueles dias que eu tanto aguardei. Ou não poderia viver aquela história tão desejada, porque para um encontro viria uma série de desencontros. Nem mesmo posso me dar ao luxo de sonhar com dias melhores nos próximos meses, pois as reviravoltas da  vida sempre me laçam ao chão novamente.
Irônico é pensar que o surpreendente é quando sai tudo exatamente do jeito que eu esperava.  O que raramente aconteceu. 



31 de ago. de 2013

Um poema de Bruna Beber


Romance em doze linhas
Quanto tempo falta pra gente se ver hoje;
Quanto tempo falta pra gente se ver logo;
Quanto tempo falta pra gente se ver todo dia;
Quanto tempo falta pra gente se ver sempre;
Quanto tempo falta pra gente se ver dia sim dia não;
Quanto tempo falta pra gente se ver às vezes;
Quanto tempo falta pra gente se ver cada vez menos;
Quanto tempo falta pra gente não querer se ver;
Quanto tempo falta pra gente não querer se ver nunca mais;
Quanto tempo falta pra gente se ver e fingir que não se viu;
Quanto tempo falta pra gente se ver e não se reconhecer;

Quanto tempo falta pra gente se ver e nem lembrar que um dia se conheceu.

Bruna Beber