hoje não há melancolia, mas uma vontade de alegria.
dentre as pessoas que passaram pela minha vida;
é com você, B., que eu queria estar hoje.
Agora!
Você deveria saber disso,
onde, com quem e em que fase
quer que você esteja!
12 de jun. de 2015
30 de mai. de 2015
Te espero
B.
...nossa história é de um outro tempo. Que não nos é permitido saber o qual. A velha máxima de pessoas certas que se encontram no momento errado. Felizmente, nem eu, nem você está embarcando a semana que vem para um ilha no Pacífico, muito menos está de casamento marcado com outra pessoa. Como já disse Caio: "O que tem de ser, tem muita força. Ninguém precisa se assustar com a distância, os afastamentos que acontecem." Oxalá que haja um reencontro no futuro, porque o carinho será guardado até lá ou até todo o sempre. Refiz vários dos meus planos, mas tem um espaço pra você em cada episódio da minha história. Eu te encontro no futuro.
Com amor...
C.
23 de mai. de 2015
Porque eu não consigo escrever sobre você
B.
mas permanece no mesmo lado na calçada.
Acaba com muitas das minhas tentativas de ser romântico,
mas me deixa rendido com uma frase de cinco palavras.
Está sempre trabalhando nos sábado à noite,
mas tem me proporcionado as melhores quartas, sextas ou domingos do ano.
É meio louco e não se preocupa com as convenções de tempo,
mas essa sua loucura combina tanto comigo.
Fica tímido facilmente e a cara vermelha, quase roxa, entrega isso,
mas sabe exatamente o que dizer para que eu me sinta o cara mais sortudo do mundo.
Deveria morar mais perto,
mas está sempre tão presente que isso virou um detalhe.
Eu não sei porque não consigo escrever sobre você,
mas sei que não quero escrever sobre outra pessoa.
23 de mar. de 2015
15 de mar. de 2015
Existe sempre alguma coisa ausente
Caio F.
Paris — Toda vez que chego a Paris tenho um ritual particular. Depois de dormir algumas horas, dou uma espanada no rodenirterceiromundista e vou até Notre-Dame. Acendo vela, rezo, fico olhando a catedral imensa no coração do Ocidente. Sempre penso em Joana d’Arc, heroína dos meus remotos 12 anos; no caminho de Santiago de Compostela, do qual Notre-Dame é o ponto de partida — e em minha mãe, professora de História que, entre tantas coisas mais, me ensinou essa paixão pelo mundo e pelo tempo.
Sempre acontecem coisas quando vou a Notre-Dame. Certa vez, encontrei um conhecido de Porto Alegre que não via pelo menos há 2o anos. Outra, chegando de uma temporada penosa numa Londres congelada e aterrorizada por bombas do IRA, na época da Guerra do Golfo, tropecei numa greve de fome de curdos no jardim em frente. Na mais bonita dessas vezes, eu estava tristíssimo. Há meses não havia sol, ninguém mandava notícias de lugar algum, o dinheiro estava no fim, pessoas que eu considerava amigas tinham sido cruéis e desonestas. Pior que tudo, rondava um sentimento de desorientação. Aquela liberdade e falta de laços tão totais que tornam-se horríveis, e você pode então ir tanto para Botucatu quanto para Java, Budapeste ou Maputo — nada interessa. Viajante sofre muito: é o preço que se paga por querer ver “como um danado”, feito Pessoa. Eu sentia profunda falta de alguma coisa que não sabia o que era. Sabia só que doía, doía. Sem remédio.
Enrolado num capotão da Segunda Guerra, naquela tarde em Notre-Dame rezei, acendi vela, pensei coisas do passado, da fantasia e memória, depois saí a caminhar. Parei numa vitrina cheia de obras do conde Saint-Germain, me perdi pelos bulevares da le dela Cité. Então sentei num banco do Quai de Bourbon, de costas para o Sena, acendi um cigarro e olhei para a casa em frente, no outro lado da rua. Na fachada estragada pelo tempo lia-se numa placa: “II y a toujours quelque choe d’abient qui me tourmente” (Existe sempre alguma coisa ausente que me atormenta) — frase de uma carta escrita por Camilie Claudel a Rodín, em 1886. Daquela casa, dizia a placa, Camille saíra direto para o hospício, onde permaneceu até a morte. Perdida de amor, de talento e de loucura.
Fazia frio, garoava fino sobre o Sena, daquelas garoas tão finas que mal chegam a molhar um cigarro. Copiei a frase numa agenda. E seja lá o que possa significar “ficar bem” dentro desse desconforto inseparável da condição, naquele momento justo e breve — fiquei bem. Tomei um Calvados, entrei numa galeria para ver os desenhos de Egon Schiele enquanto a frase de Camille assentava aos poucos na cabeça. Que algo sempre nos falta — o que chamamos de Deus, o que chamamos de amor, saúde, dinheiro, esperança ou paz. Sentir sede, faz parte. E atormenta.
Como a vida é tecelã imprevisível, e ponto dado aqui vez em quando só vai ser arrematado lá na frente. Três anos depois fui parar em Saint-Nazaire, cidadezinha no estuário do rio Loire, fronteira sul da Bretanha. Lá, escrevi uma novela chamada Bem longe de Marienbad, homenagem mais à canção de Barbara que ao filme de Resnais. Uma tarde saí a caminhar procurando na mente uma epígrafe para o texto. Por “acaso”, fui dar na frente de um centro cultural chamado (oh!) Camille Claudel. Lembrei da agenda antiga, fui remexer papéis. E lá estava aquela frase que eu nem lembrava mais e era, sim, a epígrafe e síntese (quem sabe epitáfio, um dia) não só daquele texto, mas de todos os outros que escrevi até hoje. E do que não escrevi, mas vivi e vivo e viverei.
Pego o metrô, vou conferir. Continua lá, a placa na fachada da casa número 1 do Quai de Bourbon, no mesmo lugar. Quando um dia você vier a Paris, procure. E se não vier, para seu próprio bem guarde este recado: alguma coisa sempre faz falta. Guarde sem dor, embora doa, e em segredo.
O Estado de S. Paulo, 3/4/1994
P.S. Caio e seus ensinamentos-epifanias.
Silêncio
com seu jeito quieto
de sorriso tímido
ele se foi
deixando aqui o barulho de bombas nucleares
e o caos de um cataclismo íntimo.
de sorriso tímido
ele se foi
deixando aqui o barulho de bombas nucleares
e o caos de um cataclismo íntimo.
14 de mar. de 2015
.
entre tanto afeto, tanta vontade, tantos sentimentos
você pode encontrar alguém que responda com frieza
.
8 de mar. de 2015
Lance
um lance de dados
seu corpo lançado contra o meu
nossos corpos lançados no mar
um barato de lança perfume.
meias verdades lançadas ao vento
juras de amor lançadas da sacada
meu sentimento lançado na vala
o seu corpo lançado no mundo
31 de dez. de 2014
Desejos
Amigos,
Brinde, beijo, bocas,
Carinho, carnaval, conquistas
Dádivas,
Esperança, êxitos
Força, flores
Graça, gracejo, gelo,
Honestidade,
Inteligência, independência, invenções
Juventude,
Love,
Magia,
Namoro,
Ordem, desordem, orgias,
Paradoxos, proteção,
Quimeras,
Risos,
Saúde, sabedoria, sexo,
Tranquilidade,
União,
Viagens, viva!,
XXX (pausa)
Zoeira!
Recomeçar sempre!
P.S. Um Feliz 2015 a todos!!!
Obrigado 2014!
2014 foi um ano de realizações, recomeços, reinvenções. Teve alegria, festa, riso. Mas também sustos, tristezas, decepções. Algumas pessoas passaram e se foram por vontade própria, outras chegaram, ficaram e fizeram o ano acontecer, outras, ainda, se foram por força da natureza, enquanto algumas pessoinhas surgiram para me fazer sorrir. Agradeço os ensinamentos e aprendizados, as conquistas, a saúde, a vida. O saldo é muito, muito positivo. Um brinde a felicidade e força para seguir adiante.
Assinar:
Postagens (Atom)
