17 de mai. de 2014

Só

Há ausências demais para serem contabilizadas. Eu não me arrisco a fazê-lo. Não é que a vida tenha sido difícil nos últimos meses. Pelo contrário, as coisas vêm dando certo ultimamente. Mas, quando a festa acaba, as pessoas vão embora, eu fico só. Depois de um dia de trabalho, de correr pra cima e pra baixo, falar com um, com outro, falar com muitos ao mesmo tempo, a noite caí, eu estou só. O resultado é o desejado: conquista, alegria, alguns parabéns, mas eu volto para casa não tem com quem comemorar nada, volto a ficar só. Pra quê tudo isso, se acaba sendo várias batalhas solitárias? Na derrota ou glória, não importa, somos eu e eu mesmo. Qualquer esperança de que o cenário possa mudar em breve e alguém se arrisque a me acompanhar em tudo isso acaba resultando em silêncio, ausência, decepção...
E ao me perguntarem: "O que tornaria seu fim de semana melhor?". Me deparo respondendo de forma melancólica, mas espontânea: uma companhia. 

Nunca fui como todos!

Nunca fui como todos 
Nunca tive muitos amigos 
Nunca fui favorita 
Nunca fui o que meus pais queriam 
Nunca tive alguém que amasse 
Mas tive somente a mim 
A minha absoluta verdade 
Meu verdadeiro pensamento 
O meu conforto nas horas de sofrimento 
Não vivo sozinha porque gosto 
E sim porque aprendi a ser só...

Florbela Espanca

21 de abr. de 2014


Na primeira vez que li Adília, estranhei. Na segunda me interessei. Na terceira me encontrei. E vi que ali tinha muito o que descobrir.... Porque Adília é foda!


"Nunca fodi. Mas não me importo de morrer sem ter fodido. Apaixonei-me. E ninguém por quem eu me tenha apaixonado se apaixonou por mim. Acho horrível uma pessoa foder sem estar apaixonada. Acho horrível uma pessoa nunca ter se apaixonado. Acho que é o pior que pode acontecer a uma pessoa. Não é nunca ninguém ter se apaixonado por nós. É tão horrível alguém apaixonar-se por nós e nós não podermos corresponder. As paixões desencontradas são como as cabeças trocadas.
*
Posso morrer porque amei e porque fui amada. Gostei de homens, de mulheres, de velhas (de velhos não), de bebés, de bichos, de plantas, de casas, de filmes, de concertos, de quadros, de teorias, de jogos, de pastéis de nata, de jesuítas, de russos, de hamburguers, de Paris e de Londres.  Nunca fui a Nova York e gostava de ir, mas não me importo de morrer sem ter ido. Também nunca tive um orgasmo, mas posso morrer sem nunca ter tido um orgasmo. Não me arrependo de nada. É claro que Nova York não se compara com um orgasmo. Um orgasmo é muito mais importante.
*
Para foder, nestes tempos que correm, parece que é preciso um escafandro. As pessoas pensam muito em foder. E sofrem muito quando não fodem. Quem não pensa em foder está fodido. Mas as pessoas fodem e não são felizes.
*
O deserto está perto. Sempre. Mas o deserto é fértil.
*
Pateta, patética, peripatética: eu."


Adília Lopes In: Irmã Barata, Irmã Batata (2000).  

19 de abr. de 2014

há tanta cumplicidade na forma como eles se olham
eu observo
no tom da voz com que um chama o outro
eu percebo que há mais que cumplicidade
há momentos compartilhados, histórias divididas entres os dois
tempo conquistado 
juntos
eu observo
o que eu nunca tive
e me pergunto 
por quê?

5 de abr. de 2014

Sobre Ir ou Ficar

"ir embora é uma história que você começa a contar e que, como o início de todas as histórias, vale não pelo que significa mas pelo que pode vi a significar. 
Então você pode muito bem começar a contar uma outra história: aquela em que fica. Em que abre as janelas para a mesma rua. Não tem mala, passagem de trem ou ônibus ou avião.
Não precisa descobrir nada, conhecer nada, não precisa ir riscando itens de uma lista. Pode se satisfazer com aquilo que é familiar" 

Adriana Lisboa In: Hanói, p. 168

31 de mar. de 2014

meu aliado


                               O tempo é sagrado

                                 O tempo 
                                 é sagrado

                                 O tempo 
                                 é templo


Adília Lopes

27 de mar. de 2014

psiu...

Você pergunta: tudo bem?
Eu respondo: Estou bem e você?
Você responde: Tô bem, também. 

Eu menti pra você. Tenho feito isso às vezes, sobretudo, quando me perguntam "tá tudo bem?". Não. Não está nada bem. Era essa a vontade que tive, te dizer a verdade: que tudo está péssimo; que você acabou com a minha tranquilidade, destruiu meu equilibro. Queria te contar que passei o sábado e o domingo jogado na cama pensando em você. E, que ainda não consegui ler o livro que você me deu no natal passado, pois toda vez que pego nele lembro de você, de nós na fila do ônibus e minha vista fica embaçada de lágrimas. Queria te contar que me sinto um idiota, há mais de 60 dias não te encontro, mas quando eu fecho os olhos é o seu rosto que eu vejo. Que me envergonho, também, por desejar que você de repente perceba que eu sou melhor que o seu namorado, e volte atrás e me peça perdão, e peça pra voltarmos. Eu tento me convencer que não te quero mais, mas meu coração não quer obedecer; e apesar de você ter sido o maior de todos os filhas-da-puta-mentirosos eu ainda te quero. Preciso achar um outro cinema para ir, porque desde que você desistiu de nós nunca mais tive coragem de voltar aos cinemas da Augusta, eu lembraria de você a cada segundo. Besteira. eu ainda lembro de você todos os dias, mesmo no escuro. Eu ainda queria te contar que de um mês pra cá as coisas começaram a melhorar, mas não vejo motivos para comemorar, porque tudo o que está acontecendo eu esperava comemorar com você, afinal, no começo de algumas e no meio de outras foi pra você que contei o que eu esperava alcançar e contigo dividi as irritações e frustrações de boa parte delas... 
Enfim, eu tenho omitido muitas coisas. E se me perguntar, mesmo que esteja prestes a enlouquecer de tanta saudade-raiva-amor, direi que estou bem! 


Foto by: Jordan Tiberio. 
(Conheçam a história da foto aqui) 

P.S. C. para B!

22 de mar. de 2014

b.
eu não sei porque
ainda sinto tanta saudade de você
seria mais fácil se eu te apagasse da memória
borrasse as linhas que preencheste com o teu sorriso
porém a tua ausência é cicatriz
que o tempo ainda não apagou

18 de mar. de 2014

w.  

sonhei com você. acordei assustado, respiração ofegante, coração apertado. espero que seja apenas saudade. passei o dia com o pensamento em você, não que já tenha lhe esquecido, acho que ainda me lembraria de cada parte do seu corpo. das datas. dos lugares. das paredes que testemunharam as horas que dividimos. sonhei com você e não foi um sonho bom. me angustia a ideia de que vire um fantasma. você jamais tomou qualquer atitude para ocupar este lugar na minha história. me angustia te ver esmaecendo ainda que em sonho. prefiro as suas cores que discretamente iluminam ao redor...