29 de mai. de 2010

"Alivia a minha alma, faze com que eu sinta que Tua mão está dada à minha, faze com que eu sinta que a morte não existe porque na verdade já estamos na eternidade, faze com que eu sinta que amar é não morrer, que a entrega de si mesmo não significa a morte, faze com que eu sinta uma alegria modesta e diária, faze com que eu não Te indague demais, porque a resposta seria tão misteriosa quanto a pergunta, faze com que me lembre de que também não há explicação porque um filho quer o beijo de sua mãe e no entanto ele quer e no entanto o beijo é perfeito, faze com que eu receba o mundo sem receio, pois para esse mundo incompreensível eu fui criada e eu mesma também incompreensível, então é que há uma conexão entre esse mistério do mundo e o nosso, mas essa conexão não é clara para nós enquanto quisermos entendê-la, abençoa-me para que eu viva com alegria o pão que eu como, o sono que durmo, faze com que eu tenha caridade por mim mesma, pois senão não poderei sentir que Deus me amou, faze com que eu perca o pudor de desejar que na hora de minha morte haja uma mão humana amada para apertar a minha, amém."

Clarice Lispector

25 de mai. de 2010

À minha vó!

Ao invés de uma forte e avassaladora tristeza, choro e desespero, o que sinto, o que guardo e o que guardarei comigo, sempre, são sentimentos melhores, e maiores. Saudade, que traz consigo não a tristeza da perda mas o privilégio de um dia ter tido. Gratidão que é melhor que o desespero pois sei e reconheço tudo o que fez por mim e pelos de casa, para sempre sua família. E ainda a sensação de que fiz o que podia fazer, de que aproveitei tudo o que tinha pra aproveitar, e de que se não fui melhor é porque sou humano e como qualquer outro erro.

Depois de uma vida longa, repleta de alegrias, como também de dificuldades, tristezas e superação, não cabe a mim ou a quem quer que seja, lamentar ou questionar o porquê? Partistes mas saiba que a mim ensinou muito, e se não aprendi mais foi pura incapacidade minha.

Jamais esquecerei que me ensinou a cozinha, a fazer pão, bolo, ou bolinhos de chuva; nem tão pouco os elogios que fazia a minha comida; não esquecerei da mulher forte que ajudou a me criar, na minha formação e educação; nem tão pouco que fostes a primeira pessoa que me deu um livro, e com isso, abriu as portas para o meu futuro e mundo, atual; agradeço os ensinamentos, as várias ajudas, a paciência e ao amor dedicados não só à mim como aos meus.

Ao longo da minha vida jamais esquecerei da senhora de corpo frágil, extremamente religiosa, de coragem absurda, e com uma força admirável. Que não sucumbiu as dores, nem as dificuldades da vida. Mas que eu via apenas como vó. Que tenhas a paz e o descaso merecidos, e a consciência de que à mim fez inúmeras coisas boas e que para sempre permanecerá em minha memória e em meu coração...

27 de abr. de 2010

Para rir um pouco!!!

Só poderia acontecer em tempos de internet...

Mensagem moderna


Um casal decide passar férias numa praia no Caribe, no mesmo hotel onde passaram a lua de mel, 20 anos atrás.

Por causa do trabalho, a mulher não pode viajar com o marido, deixou para ir alguns dias depois.

Quando o homem chegou ao quarto do hotel, percebeu que havia um computador com acesso à internet. Então, decidiu enviar um e-mail à mulher; porém ao digitar o endereço de e-mail de sua esposa erra uma letra e sem perceber envia à uma outra pessoa o e-mail.

O e-mail é então recebido por uma viúva que acabara de chegar do enterro de seu marido. Ao conferir seus e-mails ela desmaia instantaneamente.

O filho ao entrar encontra a mãe desmaiada próximo ao computador, então ele lê na tela o seguinte e-mail:

Querida esposa, cheguei bem...

Provavelmente você se surpreenda em receber notícias minhas por e-mail, mas agora tem computador aqui e pode-se enviar mensagens às pessoas queridas. Acabo de chegar e já me certifiquei que está tudo preparado pra você vir na sexta feira.

Tenho muita vontade de te ver e espero que sua viagem seja tão tranqüila como foi a minha!

Obs: Não traga muita roupa, aqui faz um calor infernal!

21 de abr. de 2010

Se

Como seria bom viver em um planeta diferente, não me entendam mal, não quero me mudar pra Vênus ou Saturno, queria apenas que as coisas fossem um tanto diferentes por aqui mesmo.

Seria tão bom, se a vida fosse mais fácil, se o tempo fosse sempre como as tardes de outono ou as noites de verão, que não nos preocupássemos tanto com os problemas, que déssemos mais valor ao escasso e fugaz tempo que temos para construir uma vida.

Seria perfeito se as amizades nunca se desfizessem, os amores durassem eternamente e a paixões esfriasse sem nenhuma mágoa para qualquer um dos lados. Se as princesas não se transformassem em bruxas com o tempo e os príncipes jamais se tornassem sapos depois de beijados, para alguns ainda seria necessário que os sapos se tornassem príncipes.

Pra melhorar ainda mais, seria fantástico se toda sexta fosse um feriado, e que nas segundas - feiras todos tivéssemos o direito de ficar uma hora a mais na cama, e entrar mais tarde no trabalho, na escola, ou aonde quer que seja.

Se houvesse mais verde, mais respeito, mais gentileza entre as pessoas haveria, mais felicidade, mais educação, mais sorrisos e muito mais amor. Logo, se assim o fosse haveria menos guerra, menos rancor, menos desrespeito, menos insatisfação.

E se a realidade não fosse tão diferente da imaginação, talvez não houvesse os sonhos e os delírios loucos de quem fica sonhando com um mundo imaginado na inexistência de um provável se.

11 de abr. de 2010



FUI


Não me deixei prender. Libertei-me de todo e fui
em busca de volúpias que em parte eram reais,
em parte haviam sido forjadas por meu cérebro;
fui em busca da noite iluminada.
E bebi então vinhos fortes, como
bebem os destemidos no prazer.


Konstatínos Kaváfis

(tradução de José Paulo Paes)

10 de abr. de 2010

"Quero apenas cinco coisas...


Primeiro é o amor sem fim
A segunda é ver o outono
A terceira é o grave inverno
Em quarto lugar o verão
A quinta coisa são teus olhos
Não quero dormir sem teus olhos.
Não quero ser... sem que me olhes.
Abro mão da primavera para que continues me olhando"


Pablo Neruda


9 de abr. de 2010

O muito às vezes é tão pouco

Decidi não contentar-me mais com as migalhas ou com aquilo que venha a sobrar para mim, prefiro o nada ao muito pouco. Ainda mas sendo praticamente impossível viver no nada por muito tempo; mais cedo ou mais tarde algo que seja completo e não mais um simples resto deve surgir.

Assim quando as luzes se acenderem não estarei mendigando um pouco do que quer que seja. Ou não me verão, ou então serei o ator principal da minha própria história. E assim sendo quando as luzes se apagarem não sairei de cena com um gosto amargo de “quero mais” na boca; ou brindarei a vida, a completude e o sucesso entre luzes, risos e satisfação, ou então, me encontraram apenas em algum beco escuro ou calçada imunda da cidade.

A mais cruel das atitudes cometida contra eu mesmo foi não me importar e aceitar o pouco que me ofereceram, mesmo sendo esse pouco, o máximo que poderiam me dar; e muito menos que o mínimo do que eu desejava receber.