9 de jul. de 2010

É preciso coragem para ser feliz!

... a vida não é de se brincar porque em pleno dia se morre.”

Clarice Lispector


Além da sorte, da vontade, do dinheiro, do amor ou das conquistas, acredito ser necessário coragem para ser feliz. A felicidade não tem preço, não tem fórmula, não tem um caminho certo a ser seguido, para que enfim ela seja alcançada, no entanto, para se chegar até ela é imprescindível uma boa e exagerada dose de coragem.

É a coragem para ser feliz que nos permite levantar após a primeira, a segunda... a décima sétima ou quadragésima terceira queda que levamos, é ela que nos faz superar as dores, as perdas e os desamores; sem coragem não sairiámos todo dia pra enfrentar o mundo cão que nos espera, e é ela que também nos permite voltar para casa, quando o clima dentro desta última está pior do que o de lado de fora. É a santa e bendita coragem que nos faz acreditar no amanhã, que o melhor é possível e que o novo amor é sempre melhor que o antigo, mesmo que estejamos cansados de saber que nem sempre isso é verdade; é ela que nos permite mudar os rumos de nossa vida, de uma hora pra outra, ou apostar todas as fichas no novo, em um novo negócio, uma nova amizade, uma nova profissão, um novo amor, mesmo que saibamos que há sempre cinquenta por cento de chances de dar errado, ela nos permite acreditar nos cinquenta por cento de chance de dar certo.

Sem coragem não seguiriamos adiante, pois é ela que nos permite reconhecer os nossos erros, contabilizar as perdas, suportar as derrotas, pedir desculpas, e juntar nossos cacos para que possamos continuar vivendo.

Para se viver é preciso coragem, para sorrir ao fim de todos os dias ela é essencial, para ser feliz ela é imprescindível.

7 de jul. de 2010

O poeta está vivo

Já se foram vinte anos, se passaram meus vinte e poucos anos. Quando Cazuza se foi, eu era apenas um bebê... Mas como já disse, as músicas não envelhecem... e afinal de contas O Poeta ainda Está Vivo e suas músicas ainda fazem sentido para milhares de pessoas, sobretudo, de adolescentes que encontram nas letras rebeldes do sempre Exagerado, algo com o que se identificam. Assim como eu que fui apresentado a Ideologia aos quinze anos de idade por uma querida professora e amiga e que de lá pra cá nunca mais deixei de escutar Cazuza e suas Frases Perfeitas.


6 de jul. de 2010

As músicas não envelhecem jamais

Lá pelos anos de 2005/2006 estava eu ouvindo Vanessa da Mata que naquela época não era tão conhecida como é atualmente, mas eu desde a primeira vez que ouvi me apaixonei. Entre tantas músicas que eu adorava tinha duas que eram especiais, Música e Eu quero enfeitar você, confesso que ouvi até enjoar. Esse tempinho de quatro/cinco se passou, e numa bela e fria tarde de sábado, matando tempo na net, para fugir de um trabalho muito chato que tinha que terminar, me lembro dos seguintes versos: “eu só quero um cafuné, um cobertor de orelha fixo”, levou um tempo até eu ligar a lembrança à música, mas logo lembrei, e claro que nessa horas o Google ajuda. Coloquei pra tocar essa música, e só então eu a entendi perfeitamente, ela de alguma forma traduzia o que eu queria gritar naquele momento. Desde então estou (re)ouvindo essa canção várias vezes... e cada vez achando-a mais bela e começando a compreender o que ouvi a Simone dizer uma vez: “as músicas não envelhecem jamais”, elas apenas passam por nossas vidas e de repente voltam em um determinado momento fazendo muito mais sentido.


Eu quero Enfeitar Você - Vanessa da Mata

(Composição: Liminha e Vanessa da Mata)


Eu não quero este poder
Toma ele pra você
Eu só quero cantar, gozar e
Gastar da vida

Eu só quero um cafuné
Um cobertor de orelha fixo
Neste inverno tão rígido
Fingir que acredito em você

Eu quero enfeitar você

Eu só quero me perder
Eu não quero este poder
Chamar o sapo de príncipe
Comer você de manhã

E quando tudo parecer
Que está quase perdido
Que foi quase esquecido
Que não é mais minha maçã
Eu quero enfeitar você








5 de jul. de 2010

...e os e-mails também!

Guarde as antigas cartas de amor.
Jogue fora os extratos bancários velhos.”


Já faz algum tempo que eu ouvi pela primeira vez o CD, Filtro Solar, pra quem não conhece é um CD com músicas e textos declamados por alguns artistas, aliás quem não conhece deve conhecer, vale a pena. Na faixa que dá título ao CD, aparece a frase acima, “Guarde as antigas cartas de amor”, e eis que num domingo desses depois de muito adiar resolvi organizar meu computador e excluir um monte de coisa que já não me servia mais. De repente essa parte do texto me volta a mente, no exato instante em que eu abro e releio, com um sorriso de saudade e lágrimas nos olhos um e-mail de uns quatro anos atrás, enviando por um pessoa que foi e pra sempre será muito importante para minha história.

E só agora, depois de passar por tudo que eu já passei, depois alegrias e tristezas, conquistas e decepções, e sobretudo, devido ao momento atual que vivo, de busca e espera, eu acho que começo a dar o valor devido a esse e-mail. Não é uma carta de amor, mas um e-mail de carinho, e de afeto, assim como alguns outros enviados, por amigos, familiares, antigos casinhos ou pelos poucos amores.

Ás vezes uma mensagem corriqueira, guarda um carinho imenso e um cuidado único, que por sabermos que aquela pessoa está muito próximo de nós, deixamos pra prestar atenção e retribuir esse carinho depois, nos esquecendo assim de como o futuro é incerto e de que nossos planos podem de uma hora para outra mudarem, pode acontecer que essa pessoa de repente ir embora ou perdermos o contato, e acabamos nos esquecendo do que foi dito ou escrito. Até o dia em que ao cumprir uma obrigação massante, reencontramos aquele bilhetinho, aquela carta já velha, ou o e-mail antigo que já não lembrávamos mais, mas que nos disse tudo aquilo que queríamos ouvir naquele exato momento, tudo o que desejamos para o presente pode ser encontrado no passado não tão distante, seja numa caixa de recordações ou em nossa caixa de e-mail.

Portanto, mais do que nunca, compreendo o quão importante é guarda as cartas e os e-mails especiais, pois num futuro serão eles que poderão nos dizer aquilo que desejamos ouvir e nos mostrar quantos momentos especiais já vivemos, além de nos fazer relembrar as pessoas incríveis que passaram por nossas vidas.



18 de jun. de 2010

Saramago!




"Bem me queria a mim parecer que a história não é a vida real, literatura, sim, e nada mais"

José Saramago

11 de jun. de 2010

"Se o amor não nos quiser, então azar do amor, não soube nos amar..."

Foi você me olhar de lado e eu ao lado doido para confessar...

Ok, acho que dessa vez aprendi!

Errar uma vez, é humano. A segunda, já é bobagem. A terceira... já é burrice!
Acho que burro eu não sou. Então, acho dessa vez eu aprendi, e não haverá a terceira!!!
Se houver, ok a culpa novamente é apenas e toda minha!

10 de jun. de 2010



amanheceu,

o sol que vejo através da janela,
desperta em mim o desejo de arrastar
a cama
e o computador para a varanda,
com a esperança de sentir um pouco mais de calor.
de onde estou,
apenas vejo sua luz que ilumina as paredes claras,
mas quero mais,
quero sentir seus raios quentes sobre a pele,
que eles me envolvam e me aqueçam,
espantando o frio,
e
derretendo o gelo,
espero que o sol possa fazê-lo,
pois eu já não sei se posso contar com teus braços.


5 de jun. de 2010

Nossas tristezas do amor ausente...

O lugar vazio, a alegria que não pode ser compartilhada, nem as dores divididas, o peso da ausência e a espera de uma eternidade. Compartilho-as com a poetisa da solidão e da saudade, inclusive, da saudade daquilo que nunca tivemos.


Minha tristeza é não poder mostrar-te as nuvens brancas,

e as flores novas, como aroma em brasa,

com suas coroas crepitantes de abelhas.


Teus olhos sorririam,

agradecendo a Deus o céu e a terra:

eu sentiria o teu coração felizmente

como um campo onde choveu.


Minha tristeza é não poder acompanhar contigo

o desenho das pombas voantes,

o destino dos trens pelas montanhas,

e o brilho tênue de cada estrela

brotando à margem do crepúsculo.


Tomarias o luar nas tuas mãos,

fortes e simples como as pedras,

e dirias apenas: “Como vem tão clarinho!”


E nesse luar das tuas mãos se banharia a minha vida,

sem perturbar sua claridade,

mas também sem diminuir minha tristeza.


Cecília Meireles

4 de jun. de 2010

Entre caminhos incertos.



Sinto-me como se estivesse em uma corda bamba, o corpo já não obedece mais, o coração está disparado, o boca seca, e a única coisa que sinto é o vento frio que bate contra meu rosto. É como se esta corda estivesse em um precipício, não há escolhas, ou retorno a segurança do ponto de partida, ou sigo diante sabendo de todos os ricos que o outro lado ainda desconhecido me reserva.

Não há atalhos, não há como esperar ou adiar para depois, para quando tudo parecer mais conveniente, o meu alvo está ali, bem a minha frente, o que me afasta é o medo de me arriscar, o medo do novo e também de saber que ao enfim chegar lá, poço encontrar tanto uma mão me acolha, bem como essa mesma mão pode dar o impulso final, para que eu despenque, encontrando o que há depois do fim, depois do conhecido, além da dor.

Este alvo, parece estar tão próximo, parece que assim como eu ambiciona-me, é além de tudo belo, há duas escolhas, entre as duas, uma é mover a perna e dar um passo adiante, a outra recuar, dando um passo para atrás.

Minto há ainda uma terceira opção, ficar equilibrando-me sem avançar ou recuar, fingir que não estou ali e ainda que aquela é uma situação se não confortável, ao menos possível; porém torna-se inevitável, e não necessito de muito tempo para perceber que esta não é uma situação nem mesmo possível. Nenhum equilíbrio é duradouro, nenhuma vida acontece na inércia e nada se conquista tentando-se permanecer sem tomar decisões, inerte, livre do peso das decisões. Avançar ou recuar os caminhos bifurcam-se na minha frente, resta-me apenas escolher qual seguir.

Daí me senhor, a imprudência dos rebeldes, a coragem dos decididos e a magnifica loucura dos insanos. Que tenha a coragem de avançar por esta maldita linha dos caminhos incertos, e ainda que ao vim dela encontre a mão amiga que me acolherá na chegada. Mas se infelizmente este for um caminho ao qual não valha a pena percorre-lo e ao seu final, eu encontre simplesmente ausência daquilo que me sustentava, e despenque em um abismo, que eu ao menos tenha a capacidade de assim como Clarice, dizer: “-e daí? Eu adoro voar!” e saiba depois de tudo, levantar-me.